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Açores 24Horas – Jornal Diário

5 de Maio de 2017


terry costa Foto Pedro SilvaAmar. Amor. Eu amo. Tantas vezes ouvimos esta expressão, que até parece perder-se no seu significado. Mas, eu amo esta terra!
Aquele momento quando nos esquecemos do tempo – e do clima, que se sente quando se está conversando em frente da porta do Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, com o diretor do Parque Natural – Paulino Costa, e a videografa Ana M. Costa questiona porque estamos na rua, debaixo de bruma; quando o Tony Silveira está a afinar seu violão, em frente da prensa de lagar; o Wilson Medina, a tocar uns acordes para a sua filhota, que quer é dançar ao som do que o pai lhe oferece com seu bandolim; o Grupo de Chamarritas da Casa da Música da Candelária (agendados para bailar, numa hora de temporal ventoso) decidem que a varanda do Baco´s Corner é mesmo o melhor lugar para o bailo, do fim de tarde; o Fado Ilhéu, a aquecer o Alto da Bonança, em Santa Luzia; a Fátima Gamboa, com um sorriso que vai e vem de Lisboa à ilha montanha, contente com sala cheia e mesa bem posta e composta – uma casa portuguesa com certeza!; a Conceição Gomes, cheia de orgulho, mostrando a Casa Inverno na Villa 4 Seasons, estes são apenas alguns momentos do primeiro dia do Visitarte – o festival de artes em casas rurais. E, refletem algumas das razões por que, repito dia após dia, “eu amo esta terra!”.
Criar, organizar, apresentar, promover, incentivar, participar, gostar, abraçar o que nos oferecem, o que nos rodeia, às vezes parece mais difícil do que podia mesmo ser. O ser humano tenta complicar o viver. Temos, assim, tantas inseguridades que no lugar de dizer sim é mais fácil dizer um não? Vejam só o que conseguimos com o “sim” quando foi apresentado esta ideia de levar arte e abrir portas a estes lugares construídos ou re-construídos com tanto amor.
Quando pedi à senhora Salomé Medeiros para nos encontrarmos no lugar do baloiço não esperava que o baloiçar fosse fazer parte da conversa. Foi um momento tão precioso que me fez questionar quando tinha sido a última vez que tinha estado num baloiço. A Quinta da Ribeira da Urze, na Prainha de Cima, tem este lindo baloiço, que agora já sei que quando por lá passar, vou tirar um minuto para apreciar a paisagem, no balanço, neste lugar paradisíaco, que nos mostra a serra vistosa e a ilha de São Jorge, que parece querer apegar-se ao Pico. Desde criança, que ela me responde. E já se passaram umas boas décadas… espero que volte ao baloiço, mais vezes, tal como se aventurou nesta ideia da MiratecArts, de abrir as portas desta casa rural, para brindarmos e brincarmos um pouco, com a dança e com a turma de bailarinas de Sofia Sousa, da Santa Casa da Misericórdia.
As histórias, as aguardentes, os toques dos instrumentos liderados por Zilda Machado e os sorrisos contagiantes da família Simas, na Adega da Varanda Alta, no lugar do Canto, em Santo Amaro; o cavalo branco, que ficou amigo após sentir o calor da mão humana no seu rosto, e a menina Vitória, a mais atenta na performance-arte com pintura-ao-vivo, na Casa do Paim em Santo António; o Bruno da Rosa, a estrear as suas músicas, com letra em português, na Aldeia das Adegas; o Grupo de Cordas Ilha Negra a encher as ruas e salas das Adegas do Pico, com os sons de tradição dos instrumentos de corda… isto é a Capital do Turismo Rural – São Roque do Pico.
Isto é a razão pela qual o executivo camarário disse sim à aventura com a MiratecArts e porque o seu presidente Mark Silveira acompanhou e também participou, com sua voz em canto e cantigas, nestes dias de Visitarte. Isto é amar o que temos na nossa ilha. Eu amo ESTA terra!

 

 

 

 

 

Terry Costa
MiratecArts, 5 anos a promover os Açores com arte e artistas

Foto: Pedro Silva

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8 de Janeiro de 2015


sismo terceiraPassaram 35 anos e alguns dias sobre o terramoto de 1980. 1 de janeiro, o dia do Sismo. Pelas 15horas e 42 minutos, a terra tremeu brutalmente. Terceira, Graciosa e São Jorge sentiram o abalo, com epicentro a 35 quilómetros de Angra do Heroísmo e uma intensidade de 7,2 na escala de Richter. A cidade, hoje património mundial, ruiu no ronco da terra. Cerca de 80% das suas casas não resistiu à força da natureza. Uma força que ninguém entendeu. Era o primeiro dia do ano, tinha havido Natal, tinha havido festa. Mas umas horas depois davam-se graças a Deus pela plena tarde do sucedido, onde mesmo assim 73 pessoas perderam a vida, e cerca de 20 mil ficaram sem teto.

Ter vivido aqueles segundos, que se transformaram em dias e anos, marcou estas gentes. De forma distante, ainda hoje se reage, se conta, se ensina e se sofre à conta daquele primeiro de janeiro. As horas que se seguiram ao abalo estão claras nas memórias. Havia um silêncio aterrador. A qualquer momento podiam surgir réplicas. Mais mansas, mas a deixar as almas em polvorosa, a fazer rodar os dedos nas contas dos terços, e também a mostrar uma solidariedade de amor. As pessoas ajudavam-se e sentia-se o medo reinante.

Tenho imagens tão nítidas de tudo que se passou, que quase duvido ainda não ter cinco anos quando a terra tremeu. Nesta ilha de Jesus, nesta paz no meio do mar, neste rochedo que foi então de sofrimento e temores. E os interiores das casas pareciam todos feitos de papelão. Tinham sido simplesmente cuspidos para as ruas. As torres das igrejas pereceram. Apenas a fé não desabou.

Passado todo este tempo, que foi quase nenhum, vem-me à ideia uma canção: Terra mãe de assombrações. Um tema lindíssimo, do Zeca Medeiros, ligado para sempre à voz da Susana Coelho. Entre notas e palavras, e “do ventre deste sobressalto”, percorre-se “este sismo que me faz cismar”. E foi isso mesmo, como diz a canção. Foi um sismo. Enorme e autêntico, tão verdadeiro e duro. Que nos fez cismar. Para as nossas vidas. Mesmo se tanta coisa boa surgiu depois de abalada a lava dos nossos corações. Ainda assim…nunca mais fomos os mesmos.

 

 

Miguel Sousa Azevedo  – http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/

http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/nunca-mais-fomos-os-mesmos-1757641

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