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Açores 24Horas – Jornal Diário

25 de Abril de 2017


peticao ncineracaoABRIL É O MOMENTO

 

Chegou Abril, o mês da revolta e da liberdade! Chegou também um bom motivo para levarmos a luta contra a incineração até ao fim.

O Movimento Cívico “Salvar a Ilha” organizou uma Concentração Popular no dia 28 de Abril entre as 16h e as 20h nas Portas da Cidade em Ponta Delgada. O evento surge como forma de protesto à decisão da AMISM e terá o seu ponto mais alto por volta das 18h com diversas intervenções públicas e performances.

Esta Concentração Popular destina-se a todos os que apoiam uma solução sustentável para os resíduos em São Miguel, a todos os que querem acabar com os aterros, a todos os que acreditam que o projeto da AMISM pode e deve ser alterado para melhor, a todos os que entendem que a incineração irá agravar os custos da gestão de resíduos, a todos os que sentem que esta é uma manobra da AMISM para a iniciar a privatização da gestão de resíduos em São Miguel e a todos os que acreditam que a AMISM está a comprometer o futuro da sociedade micaelense, fazendo com que uma empresa pública (MUSAMI) assuma todos os riscos inerentes a um investimento duvidoso, dispendioso e que não respeita a boa execução dos dinheiros públicos.

Esta Concentração Popular destina-se também a todos os que desconhecem, não aprofundaram e/ou não têm opinião sobre a incineração e a gestão sustentável de resíduos, a todos os que concordam com a incineradora mas não sabem explicar o motivo, a todos os que preferem não falar, a todos os que têm medo de falar e a todos os que querem gritar “eu sou contra, eu tenho dúvidas, eu mereço  algo melhor”.

Este é o momento para mostrarmos às crianças e jovens quem esteve na defesa dos seus direitos e do seu futuro, este é o momento para mostrarmos à ilha quem este na defesa da sua conservação, este é o momento para mostrarmos à sociedade quem esteve na defesa dos seus interesses comuns. Se a incineração já não faz sentido hoje, imaginem dentro de 5 ou 10 anos…

Há um movimento de cidadãos que se uniu, estudou, trabalhou, escreveu, publicou, discutiu e demonstrou que a decisão da AMISM estava errada. Há um conjunto de decisores políticos e gestores públicos que se contradizem diariamente, que durante os últimos meses provaram que o seu projeto era oco, sem fundamento, tecnicamente e estrategicamente errado, economicamente ruinoso e ambientalmente inaceitável. O que fizeram? Continuaram em frente contra tudo e contra todos. Por tudo isto, É O MOMENTO, no dia 28 de Abril vamos dizer basta!

 

 

Filipe Tavares
Cidadão Micaelense
Movimento Cívico “Salvar a Ilha”
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2 de Abril de 2015


CintiaMachadoHá quem pense que uma alimentação equilibrada fica cara e que o peixe é um luxo inacessível para orçamentos mais reduzidos. Apesar de a proteína do peixe ser muito mais benéfica para a saúde do que a da carne, nem todas as famílias a incluem regularmente na lista de compras, por acharem que fica cara. Não é assim!

Para ter refeições de peixe, saborosas e nutritivas, não precisa de gastar uma fortuna. Aliás, ao contrário das ideias feitas que existem, os peixes mais baratos, disponíveis no mercado e capturados no nosso mar, como a cavala, o carapau ou a sardinha, são os mais benéficos para a saúde. São muito ricos em ácidos gordos polinsaturados, como os Ómega 3 e Ómega 6, substâncias muito importantes para a saúde, sobretudo ao nível do sistema circulatório e imunitário.

O peixe congelado é outra opção para refeições económicas e saudáveis, pois é mais acessível que a maioria do pescado fresco, tem os mesmos valores nutricionais e está sempre pronto a preparar. A descongelação é um processo e deve-se, de preferência, descongelar na embalagem de compra, no frigorífico. Não sendo possível, pode-se usar o micro-ondas ou optar pela cozedura sem previamente descongelar, em alguns casos.

Temos também que falar nas conservas portuguesas, acessíveis e versáteis, com que rapidamente se prepara uma refeição para toda a família, a preços controlados. O bacalhau é outra boa opção para cortar nos custos, mas não no sabor. Dependendo do seu tamanho, existe no mercado a preços acessíveis, e é um fiel amigo para a saúde e para a carteira.

Ou seja, o pescado proporciona refeições completas, do ponto de vista nutricional, e com elevados benefícios para a saúde e para a manutenção de um peso saudável. Claro que o peso calórico de uma refeição com peixe depende muito do modo de confeção. Deve-se privilegiar os cozidos, grelhados e, sempre que se adicionar gordura, o azeite deve ser a escolhida!

Já sabe, é possível comer bem e barato. Se procura uma alimentação equilibrada, corte nas calorias, mas não desista do sabor! Descubra tudo aquilo que o mar lhe oferece. Vá ao mercado e deixe-se tentar por um peixe diferente. Na secção de congelados, descubra as novidades! E lembre-se que não há só conservas de atum e sardinha!

 

Por Cíntia Machado – Fileira do Pescado

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15 de Novembro de 2014


açores turismo Miguel AzevedoQuando, no final dos anos 90, a equipa principal do Santa Clara subiu à 1ª Divisão do futebol nacional, Carlos César, então a liderar o seu primeiro governo, encontrava o mote para catapultar uma vontade pessoal, unindo a proeza do emblema encarnado à promoção dos Açores no exterior. Estava criado o mito da “palavra” Açores, e começaram então todas as guerras e guerrilhas entre desporto, promoção turística e as vontades dos governantes regionais que, passado algum tempo, foram reeleitos com maioria. Nada mais foi como dantes.

Mas seria injusto não valorizar aqui um leque de eventos “patrocinados” pelo turismo açoriano que foram – e ainda são – um amplo sucesso mediático, mas sendo certo que a confusão é generalizada pois, da formação desportiva às campanhas para “chamar” turistas à Região, as regras alteraram-se tantas vezes, e ao sabor de tantos ventos, que ainda hoje o cargo voluntário de dirigente desportivo é um manancial de conhecimentos e escorregadelas. e a carga de trabalhos estender-se-á aos muitos operadores turísticos e organizações do arquipélago. Mas este pequeno desabafo destina-se mesmo ao fenómeno desportivo, em alguma da sua vasta extensão, e ao panorama que essa promoção externa das ilhas de bruma também criou. Pelo menos em duas modalidades. Conforme se lê no site do Clube Desportivo Santa Clara, o emblema será “a melhor marca dos Açores”. Justiça seja feita a quem criou o epíteto pois, se não é a melhor marca, é pelo menos a mais cara. Com a particularidade de se vender por altíssimo preço e de gerar contrapartidas muito duvidosas. Mas o mote não é atacar o clube micaelense, até porque todos os derivados de gestão que foi apresentando ultrapassam essa escala…de clube.

Voltemos ao início do novo século. Com a turma encarnada – titubeantemente – entre as melhores equipas do desporto-rei, 1999 foi o ano de “cozinhar” um apoio para agradar aos terceirenses, e que passou por apoiar o campeão regional de ralis. Vivia-se então o reinado de Gustavo Louro, e o ano 2000 estreou a fórmula, com os famigerados 20 mil contos a patrocinarem uma época plena de azares. Seguiram-se-lhe Horácio Franco – que alcançou um título nacional -, novamente Louro – cujas incursões nacionais nunca fizeram jus ao seu imenso talento -, e Fernando Peres (2006 a 2008) – este já ao abrigo de uma nova legislação, que permitiu a uma equipa de fora dos Açores ser campeã e usufruir da “palavra” Açores na sua carreira continental. Recorde-se que, até lá, Gustavo Louro já tinha tido dois navegadores não-residentes, que ganharam o campeonato, mas não foram campeões. De 2009 até hoje tem sido Ricardo Moura, com os resultados brilhantes que se conhecem, a ser apoiado pela Região, sendo que a verba “emagreceu” até aos atuais 65 mil euros. Para que haja uma noção dos atuais custos da participação, a reparação do Fiesta R5 acidentado no Rali da Madeira terá mais ou menos essa cifra. Sinal dos tempos, mas também de que não é o mérito a orientar apoios nem valores, e aí vêm novamente à baila o Santa Clara e os milhões que, em década e meia, o erário açoriano já despendeu. O que efetivamente ficou por cá em valor desportivo e o tão propalado retorno. Regressando aos ralis, foi doloroso ver, na passada semana, o responsável pelo turismo nos Açores a tentar explicar-se num debate televisivo. Como doloroso foi aferir que nem sabia os valores estudados do retorno de um evento como o SATA Rallye Açores, outro alvo preferencial de ataques pela sua onerosidade regional.

Como na realidade das equipas e clubes, e dos organizadores de eventos, por esse arquipélago fora, também nestas linhas a “salada” entre desporto e turismo é imensa. E mais haveria para focar, mormente em torno de participações nacionais bem sucedidas – mas altamente estrangeiradas – ao nível do basquetebol, do voleibol, do andebol, do ténis de mesa, da vela, ou do hóquei em patins. E que deixaram, penso eu, valia técnica que os novos tempos vão comprovando. Como em torno de eventos felizes como o Cliff Diving Açores, o Azores Trail Run e outros que tais, em que a beleza das ilhas funcionou bem melhor que os milhões “atirados” ao norte da Europa para subsidiar a vinda de turistas “low cost”. Mas nem me alongo mais…o difícil caminho da “palavra” Açores está para durar. Conquanto dure o paradigma, imerso em distúrbios e escasso nos reconhecimentos. Boa viagem.

 

 

 

Miguel Sousa Azevedo

http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/

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10 de Novembro de 2014


Há pouco mais de um ano, mais especificamente desde 1 de julho de 2014, os Serviços de Urgências do Centro de Saúde da Ribeira Grande, e diga-se, a par dos da Vila Franca do Campo e Nordeste, encontram-se encerrados das 00h às 8h.

Nessa altura, o Secretário Regional da Saúde, Luís Cabral, colocava em risco o rápido acesso aos cuidados de saúde, pelas 32 mil pessoas que habitam na costa norte da ilha de São Miguel, 18 mil das quais sem poderem recorrer a médico de família, por não o terem. Assim, na costa norte, necessite de atendimento médico de urgência, entre as 00h e as 8h tem de se deslocar até ao Serviço de Urgência do Hospital do Divino Espirito Santo, localizado em Ponta Delgada. 

Apesar do funcionamento da viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) na Ribeira Grande, durante 24 horas por dia, que assegura uma alternativa aos atendimentos noturnos, tal como, na altura, referia Luís Cabral, mas a viatura não substitui os serviços que um Centro de Saúde presta, quanto mais em caso de a mesma ser accionada e for requisitada para outra situação em simultâneo. É verdade que, com a construção das SCUT, o tempo de viagem reduziu, quem vive no Nordeste, em 30 minutos chega a Ponta Delgada, mas 30 minutos podem fazer a diferença entre salvar ou perder uma vida.

Passado pouco mais que um ano desde tomada a medida, há quem se desloque ao Centro de Saúde da Ribeira Grande e encontre os Serviços de Análises Clínicas encerrados, em pleno horário de funcionamento, apesar de não ter sido feita quaisquer comunicações por parte da Secretaria Regional da Saúde ou da referida Unidade de Saúde aos habitantes do concelho.

O que, na Ribeira Grande, parece estar a ocorrer é um desmantelamento da Unidade de Saúde que serve mais de 32 mil pessoas. As distâncias que os habitantes do norte da ilha tem percorrer até recorrerem a cuidados médicos parece não ser preocupação, para Executivo Regional, pois no concelho em que existe hospital está a ser construído um novo centro de saúde, a cerca de 100 metros do mesmo.

 

 

Mário Chaves Gouveia

Vice-Presidente da JSD/Ribeira Grande

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17 de Outubro de 2014


myrica FaiaSábado passado, na sala de espetáculos mais bonita e aconchegante da ilha, o Teatro Angrense, foi tempo dos Myrica Faya celebrarem na cidade património um ano musical de grande qualidade. Uma temporada marcante, em que a formação terceirense se abriu ao mundo, dando a conhecer a forma carinhosa como, melodicamente bem orientados, os seus elementos decidiram tratar a música açoriana. A dias de terminadas as festividades que o verão faz crescer pela ilha lilás, este coletivo de bom gosto provou como acertadas as opções estéticas e artísticas de uma carreira ainda curta. Mas amplamente produtiva.

Depois de os ver em vários palcos e situações, é impossível não aplaudir as respostas dadas aos vários desafios auto-propostos. Afinal foi o próprio grupo a impor o ritmo de gravação e edição do seu “Vir’ó Balho”; a alinhar exibições sem nunca as deixar cair no corriqueiro e sem defraudar audiências; assim como subiu a parada ao convidar um sem-número de artistas firmados para o acompanhar no que os seus elementos mais gostam de fazer: Música. Pura e dura, com emoções e rigores, mas cientes de que a insularidade nos dá sempre mais apatia do que capacidade para evoluir. Vai daí, viraram mesmo o baile!

Do palco, de qualquer um deles – mas especialmente dos de melhor capacidade acústica e aos quais possamos aceder com conforto -, os Myrica Faya oferecem intensidade. Sobretudo intensidade. No quase-chorinho que dedicaram à Saudade, na viagem do Samacaio com GPS e novas tecnologias, numa Lira que virou as costas ao desgosto. Intensidade num arrojo simples, traçado em cima de um cancioneiro generoso e que permite quase tudo. É essa também a grande riqueza da música açoriana, a sua imensa versatilidade. Aliás, e para quem não é açoriano, cantar os seus temas, em reinterpretações que se saúdam, não deve ser nada fácil. E os Myrica Faya propuseram isso a muita gente, alargando a equipa, e dando lugar a mais bravos numa terra que é um palco…

Vai sendo fácil perceber, calmamente, e em cada atuação, que de facto é preciso apimentar a vida. Pelos séculos, a viagem de regresso das naus foi satisfazendo essa necessidade ao povo terceirense. E estes Myrica Faya foram direitos ao paradigma. Mesmo se pode ou não haver uma voz ideal para os temas açorianos. Mesmo se estes exigem imensos tons e volteares. Mesmo se encerram uma dolência que se faz beleza, mas que pode também ser alegria. Depois de virarem o baile, pede-se aos Myrica Faya que virem agora o terreiro. Ou mesmo todo o arraial. O caminho está aberto…

 

Por Miguel Sousa Azevedo

http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/myrica-faya-virar-o-baile-1701178

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10 de Julho de 2014


palacio santanaTêm sido diversos, e transversalmente críticos, os comentários sobre a recente remodelação do Governo Regional, cujos novos elementos foram empossados esta terça-feira, na Horta. Poderia aqui alinhavar uma análise ponderada e sacrificada sobre os benefícios da alteração avançada por Vasco Cordeiro. Assim como o presidente do executivo poderia ter alterado as chefias e decisões de quem, efetivamente, vai gerindo as áreas mais problemáticas da nossa sociedade, com a Economia e as Finanças à cabeça e a Saúde e seus derivados logo de seguida. Mas fiquemo-nos pelas intenções. Por Santana maquilhou-se o executivo, por aqui apenas se critica a oportunidade de ouro que teria sido mexer, de facto, na tutela destas bonitas ilhas. Para agilizar pagamentos a quem vai falindo às pinguinhas, para desdramatizar o que são afinal atos correntes de boa e correta gestão, para se saber exatamente quem está em falta com quem. Mas não. Mudou o governo. Remodelou-se o governo. E, afinal, governa o mesmo.

Facilmente o cidadão comum identifica que as hostes do poder estão divididas e que, como sempre, são precisas pinças para não ferir susceptibilidades e tendências. Vai daí, podemos concluir que a remodelação levada a cabo se deveu a um prazer contínuo, traduzido em, com 20 meses de ação meritória e credível, mandar para casa dois secretários regionais e acrescentar outros dois à equipa, perdendo assim o executivo o seu epíteto de “o mais pequeno de sempre” para ostentar a faixa de “mais um que cresceu”, ou mesmo de “prezado/gordinho/bem tratado”…

Infelizmente, a ânsia de mudança, que se seguiu à visível continuidade de costumes face aos governos anteriores, deu em pouco. Ou, vendo a dimensão do novo quadro governamental, deu em mais.

Nem ponho em causa a competência de nenhum dos dispensados, assim como nunca o faria em relação aos empossados. Mas quem assume responsabilidades de poder deve sempre estar ciente dos desafios a que se abalança. E do escrutínio diário, e cada vez mais mediático, a que está sujeito.  

Um dos comentários a que achei mais graça versava a habilidade do presidente Vasco Cordeiro por levar a cabo todas estas mudanças sem levantar ondas. Mesmo se há várias semanas se ouvia nos bastidores que a remodelação estava para breve.

É sempre bom ver a nossa Região gerida assim em jeito de bailinho de Carnaval. Mantendo o assunto em segredo, para que seja uma surpresa plena nos salões…

 

 

Miguel Sousa Azevedo

http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/

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28 de Maio de 2014


votoQuatro em cada cinco açorianos ficaram em casa no dia de eleger os 21 deputados que, nos próximos cinco anos, farão por representar Portugal no colosso europeu. Em média, é isso que se pode apreciar nos resultados e contagens do sufrágio do passado domingo, onde a abstenção ultrapassou os 80% no arquipélago, superando em muito o já aberrante valor nacional. Em média, também se pode concluir que quatro em cada cinco açorianos se estão a marimbar para eleger eurodeputados, se estão a marimbar para os Açores ou se estão mesmo a marimbar para Portugal, no âmbito do colosso europeu. E isto, num inédito alinhar de nomes e personalidades – uns mais notáveis que outros -, em que os dois candidatos indicados pelas maiores forças políticas na Região tinham a eleição garantida. E em lugar de destaque nas listas do PS – que venceu as eleições – e da coligação “Aliança Portugal” – que as perdeu -, respetivamente.

Nos dias subsequentes à eleição – para quem não sabe, foi o domingo, dia 25… – dos referidos eurodeputados, os comentadores e analistas desdobram-se em razões e contradições para explicar uma vitória do PS…que – segundo alguns – também perdeu as eleições, ou a esperada derrota da coligação que governa o país…que não perdeu assim tanto – segundo outros -. Ou mesmo segundo os mesmos. Uma “vitória de Pirro” passou, assim, a ser uma expressão usual na lusa pátria. Afinal quem nunca ganhou com perdas…no salário ou nos abonos, por exemplo?

A minha questão é simples e amplamente local, focada numa Região onde as tropas do poder se arregimentam a cada eleição, permitindo maiorias e vitórias sucessivas, às quais se sucederão a paga do respetivo favor. Pois nem assim. Nem assim se assistiu ao grito redundante de revolta dos açorianos face a Lisboa, ao “cartão amarelo” pedido pela demagogia habitual de confundir as pessoas na hora de votar, à punição exemplar do governo centralista que prejudica a Região como nunca ninguém fizera antes. Pois, nem assim…

Na básica interpretação, pessoal está claro, que tenho do exercer da abstenção, situo o ato nos antípodas do direito democrático de votar. Em média, posso achar que o abstencionista ficou em casa, desgostoso e revoltado com os políticos e a situação nacional, lavrando assim o seu silencioso protesto. Mas em média também posso achar que o abstencionista fez uma noitada e acordou mal disposto e com olheiras, ou seja sem a mínima vontade de exercer o seu dever cívico, um dos poucos que lhe restam. Neste caso, o abstencionista foi um preguiçoso cívico. E ninguém lhe retira o rótulo Por mais que barafuste, resmungue e destile ódios ou emoções. Porque, em média, o abstencionista não pôs lá os pés. Simplesmente porque não quis…

 

Miguel Sousa Azevedo, in http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/

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10 de Abril de 2014


O pedido do PSD/Açores para o parlamento regional debater com urgência a situação de emergência social que se regista na Região, é mais do que um facto político. Com efeito, das inúmeras reuniões e visitas, que aquela força partidária tem realizado junto das instituições de apoio social, vão resultando sucessivos relatos do agravar das situações de pobreza e de dificuldades em todas as ilhas. Trata-se de uma realidade diária. Já não há dias de descanso na pobreza nacional. E eles também não existem nas ilhas de bruma.

Apesar dos mediáticos roteiros de solidariedade social, que a outra força partidária maior entre nós – a que suporta a tutela – fez questão em publicitar como um novo paradigma na forma de auxiliar, o certo é que os casos dramáticos se sucedem, a pobreza envergonhada já ultrapassou o silêncio das casas tristes, e há agregados em plena insolvência familiar. Naturalmente que, quando o partido do poder enaltece o papel dos dirigentes das imensas IPSS, que ajudam imensa gente por estas bandas, há alguma satisfação. Já quando o governo suportado por esse mesmo partido esgrima mudanças no financiamento das mesmas, criando algumas injustiças e querendo igualar escalas, pois talvez aí essa satisfação se esbata, de alguma forma. Dos lares açorianos, saem cada vez mais pedidos de ajuda. Há gente com fome nos Açores. E isso também não pode ser um facto político, é um drama social, que a política tem de abraçar como uma causa nobre, acabando com as assimetrias gritantes que tratam de forma diversa os habitantes das nossas paragens paradisíacas.

Quando confrontado com este retrato, e apesar dos milhões europeus que cá chegam e das inúmeras estruturas e equipas criadas para minimizar danos sociais e preparar o futuro das novas gerações – fora dos velhos guetos -, o governo regional ofende-se. Ninguém pode criticar a tutela açoriana, mesmo que se meta pelos olhos dentro que houve opções erradas. E que a crise internacional, a mesma que em 2008, o dito partido do poder omitia com inegável sucesso, não pode justificar tudo. Afinal, ter uns Açores tão bem geridos como estes, é fruto de um localismo de talento e profissionalismo.

Há dias, chocou alguns angrenses que houvesse um sem-abrigo a dormir na rua, bem no centro da cidade património. Há, de facto, quem não aceite ajuda nos termos em que ela é oferecida. E esse não será um caso isolado. Mas preocupante é haver cada vez mais casas onde a fome cresce…aqui mesmo ao nosso lado.

A realidade do nosso país é preocupante. A realidade das nossas ilhas, onde parece que o dinheiro abunda, e que são geridas da tal forma irrepreensível, torna-se assim ainda mais preocupante. Certamente, há algo que me escapa.

 

Por Miguel Sousa Azevedo

in http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/

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8 de Março de 2014


” Ora, na mesma semana em que entrou a Quaresma, ficou-se a saber que os fornecedores de medicamentos para o Hospital de Angra fizeram um ultimato à tutela, apenas entregando mercadoria mediante o pagamento a pronto. Uns dias antes, e com a elevada pompa e circunstância do costume, era anunciada a construção de dois ferries para a Região, num investimento brutal, e sobre o qual logo se insurgiram vozes conhecedoras. Quinze anos e 150 milhões depois, ainda se procura o sistema ideal para transportar passageiros e viaturas nas ilhas de bruma. Pelo que é neste arquipélago a dois tempos que nos vamos habituando a – também – viver o sabor de depois da festa… ”

 

Miguel Sousa Azevedo / http://portodaspipas.blogs.sapo.pt

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27 de Fevereiro de 2014


Não há como as vésperas do Entrudo para pôr à prova os humores do povo. A confirmar essa teoria está o recente anúncio do Governo Regional, ao desistir de construir o cais de cruzeiros em Angra do Heroísmo, uma vontade latente, que ainda hoje não sei se alguém verdadeiramente teve. E junto a informação ao Carnaval porque, bem vistas as coisas, tudo parece não ter passado de uma brincadeira de rapazes…mas urdida por gente grande. Tal e qual como, nos próximos dias, em cima dos palcos das nossas sociedades.

Poderia aqui recordar a demorada “novela” que o projeto em causa foi arrastando, mas ninguém aguenta enredos com mais de 45 minutos, afinal, e em cada sociedade, há sempre um bar para dois dedos de conversa. Ao invés, e no que toca à baía de Angra, os avanços e recuos vão sendo tantos, que nem de sexta a terça de Entrudo se consegue analisar a trama. E nem se resolveria coisa alguma.

Para não correr o risco de repetir argumentos, face ao que outros analistas e cronistas vão fazendo. E sabendo bem que também me pronunciei quando o então Secretário Regional da Economia – hoje presidente do Governo Regional – veio à Terceira enunciar as vantagens inerentes ao turismo de cruzeiros, lembro apenas que a baía de Angra é a mesma onde, durante anos, houve um buraco que hoje é um hotel de 5 estrelas – se é que o será, mesmo -, com as diatribes que tal processo ainda origina. Daí que, a ideia bizantina, de a “entupir” com uma estrutura faraónica com dezenas de metros de extensão, mesmo sabendo que até o espaço para a entrada e a saída corria o risco de ser exíguo, nem é tão estranha.

Juntar a isso a quebra de 15% verificada nos turistas de cruzeiros que visitaram os Açores em 2013 – e mesmo se o termo “visitar” possa parecer excessivo -, e a já recorrente queixa, por exemplo dos comerciantes de Ponta Delgada, de que os mesmos turistas não gastam um chavo fora do barco, apenas nos empurra para a canção que encerra este tema quase-melancólico.

Também não vou abordar a posição da atual autarquia angrense em relação à promessa acarinhada, até porque nunca entendi bem o que queriam as anteriores. Mas tenho que elogiar a forma habilidosa como o novo edil se contorceu sobre o assunto. Apoiando-o como governante, não o assumindo como candidato, e empurrando-o com a barriga enquanto presidente de câmara. Chapeau!

Numa breve despedida – quiçá velada de algum humor – recordo as ardentes discussões de há uns 4 anos a esta parte, em que toda a gente se outorgou conhecedora e deu o seu palpite sobre a orientação, o desenho, o tamanho e a funcionalidade do desejado cais de cruzeiros. Nessa altura, um amigo meu, num blogue que infelizmente já “fechou”, pegou numa folha e “rabiscou” uma ligação tosca entre o Porto das Pipas e os Ilhéus das Cabras, consolidando virtualmente um enorme molhe que abrangeria toda a costa de Angra até ao Porto Judeu. Teve piada, e acertou tanto – ou até mais – como todos os outros…

 

Miguel Sousa Azevedo / http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/

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24 de Janeiro de 2014


Numa altura em que, localmente, os valores da Autonomia voltaram à ribalta, eis-nos às portas de mais um evento com contornos únicos, onde facilmente se podem identificar traços próprios das gentes destas terras: A hospitalidade, a força de conviver e de partilhar e um claro gosto pela Tauromaquia, nos seus diversos estágios.

Também nessas características queremos ser únicos, mas francamente abertos às boas influências… Pelos valores da Festa Brava.

O 3º Fórum Mundial da Cultura Taurina junta, na Ilha Terceira, cerca de 120 aficionados estrangeiros e promete partilhar conhecimentos e experiências com a aficon local, sendo a terceira vez que a Tertúlia Tauromáquica Terceirense leva a cabo a iniciativa.

Mais de 250 pessoas devem participar nos trabalhos e atividades, que se iniciam esta manhã, na Praia da Vitória.

Para a edição deste ano, a comparticipação do Governo Regional desceu de 75 para 60 mil euros, pelo que o orçamento, de cerca de 90 mil euros, foi reduzido. Mas é esperado o mesmo nível de qualidade das edições anteriores.
Trata-se de mais um acontecimento que funciona como contributo para a promoção da Ilha Terceira no exterior e que, para além das várias conferências e mesas redondas, inclui um forte programa social.

Segundo Arlindo Teles, o presidente da entidade organizadora, o Fórum vai procurar “fazer sobressair todos os valores que a tauromaquia tem, e que normalmente não estão presentes na mera observação do espetáculo taurino”.

 

Olé para mais este encontro!

 

Miguel Sousa Azevedo, in PortodasPipasPRESS

http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/os-valores-da-festa-1546609

 

 

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2 de Julho de 2013


 

Desde que me lembro, sempre tive são Jorge como minha casa.

Desde criança ansiava ir estudar para poder regressar e trabalhar na minha terra natal…e estou certa que ao falar, falo por todos os nossos jovens, que crescem criando expetativas sobre o seu regresso a casa, embalados em promessas sobre criação de condições para tal. Acabando por descobrir que essas promessas eram só e apenas mais promessas.

Vivo hoje com um sentimento contraditório; por um lado feliz, por ter realizado o sonho de regressar e trabalhar em casa; por outro entristece-me ver como São Jorge e os seus filhos estão deixados ao abandono.

Trabalho de perto com diferentes faixas etárias, dos 0 ao 100. Impressiona-me ver cada uma delas. Suas formas de pensar…  seus sonhos… suas recordações.

Vejo crianças brincando felizes…jovens com a esperança de um futuro risonho na terra que os viu crescer…  e idosos que falam com saudade da sua juventude, relembrando que bastava a «rapaziada» juntar-se para que se fizesse logo uma festa.

A “rapaziada”….. a “rapaziada” e não consigo evitar pensar que São Jorge já conseguiu ser uma casa para os seus jovens, à altura do que eram as suas necessidades de então.

Passados muitos anos e o tempo das “vacas gordas”, São Jorge pouco mais tem do que tinha. O dinheiro foi gasto ao desbarato para se mostrar obra feita. Temos portanto edifícios fechados que em nada e para nada nos servem. Dinheiro investido em cimento em vez de pessoas.

Vergonha da nossa terra termos escolas primárias totalmente remodeladas e de portas fechadas… gares marítimas inauguradas a servirem apenas de ninho aos pássaros que ali passam, entre muitos outros que servem apenas para tapar o sol com a peneira.

Paletes e paletes de cimento passadas São Jorge continua uma ilha igual ao que era há anos atrás…sem mais nada de novo a oferecer aos seus jovens.

Mas tenho ainda a esperança de que dias melhores virão. O futuro está nas mãos dos que o anseiam. Está, portanto nas mãos de cada um de nós!!!

Irei por isso levantar a minha voz, sempre e acima de tudo a favor do meu futuro, a favor de São Jorge….do futuro que nos pertence, que é nosso por direito.

Acredito que dias melhores virão…que a união faz a força e que não devemos baixar os braços. O nosso rumo somos nós que o traçamos, e agora é a hora traçar um novo rumo.

Por nós… Por São Jorge…esta nossa terra, em tempos o berço de muitos…. mas hoje a casa de poucos….

 

 

 

 

 

 

Mónica Brasil

 

 

 

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23 de Junho de 2013


Todos os anos devia haver eleições autárquicas. Tenho dito. Ponta Delgada, por exemplo, ascenderia rapidamente a patamares superiores – que lhe são interditos há décadas.

A passada semana foi pródiga em trabalho para o Executivo Camarário de José Manuel Bolieiro. Bolieiro duplicou as transferências para as freguesias, anunciou uma sala de ensaios musicais no centro histórico, reforçou o apoio social das festas do Divino Espírito Santo, eliminou barreiras arquitetónicas nos Paços do Concelho, anunciou cadeiras de rodas anfíbias em todas as praias/zonas balneares com Bandeira Azul, quer melhorar a ação na área da igualdade de géneros, assegurou consultas de psiquiatria e psicologia aos sem-abrigo, quer fomentar a cultura mesmo com poucos recursos, anunciou a alteração do Plano Diretor Municipal para fixar empresas nas freguesias rurais, vai apoiar a paróquia de s. José na recuperação do seu órgão, vai apoiar renda dos escoteiros de Santo António enquanto não houver sede definitiva (já adjudicada). O homem não pára. Até ao fim de semana e a altas horas da madrugada trabalha.

São estas medidas positivas, que apenas pecam por tardias para a cidade e para as freguesias de Ponta Delgada. Algumas já haviam sido propostas pelo PS/A há largos anos. Bom, antes tarde que nunca. Para já, fico satisfeito que os pontadelgadenses sejam os grandes beneficiados deste frenesim.

Só  que o “parecer” sobrepõe-se ao “ser” no caso de José Manuel Bolieiro. Para quem afirmou categoricamente que a Câmara Municipal de Ponta Delgada “não é uma sede partidária”, são múltiplas e variadas as promessas eleitorais feitas pelo candidato Bolieiro a partir dos Paços do Concelho.

A verdade é esta: José Manuel Bolieiro não sabe separar as águas. Ou pior ainda, utiliza deliberadamente a sua posição de poder para fazer campanha com o dinheiro dos contribuintes.

É preciso não esquecer que o mesmo José Manuel Bolieiro foi vice-presidente desta autarquia durante três anos e nunca durante esse período fez tanto por Ponta Delgada como no último mês. Descobriu repentinamente novas competências? Tomou alguma poção mágica? Este frenesim autárquico tem objetivos claramente eleitoralistas. Após 29 de Setembro tudo regressará à calma costumeira, caso Bolieiro saia vencedor do confronto autárquico com José Contente.

Ponta Delgada precisa de uma nova energia autêntica, de um novo e genuíno presidente. Alguém que, com “saber de experiência feito” e com um projeto dinâmico dê um novo impulso ao concelho de Ponta Delgada. Esse homem é, sem dúvida, José Contente. Porque não basta “parecer”, é preciso “ser”.

 

Tiago Matias

Tradutor

tasmatias@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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28 de Maio de 2013


Muita tinta tem rolado à conta da Associação Arrisca. O assunto tem sido alvo das mais despropositadas observações e – considero – carece de uma análise a frio. A associação Arrisca tem funcionado ao longo dos últimos anos na Rua dos Capas, em instalações manifestamente insuficientes para os seus cerca de 300 utentes. Destes, apenas uma minoria provoca desacatos cuja expressão máxima passa por “falar alto e fazer barulho”, confessou a Dra. Suzete Frias no programa Estação de Serviço. A esmagadora maioria está num processo de recuperação de uma “doença do sistema nervoso central”, de acordo com a mesma especialista.

Munidos do preconceito, os comerciantes do centro histórico de Ponta Delgada prontificaram-se a fazer barulho e a pressionar o atual presidente camarário José Manuel Bolieiro a contestar a decisão da mudança da Rua dos Capas para a Rua do Aljube. Esta mudança é de apenas uns escassos metros. Assim se viram dois aspetos fundamentais no comportamento de Bolieiro: 1) cede a pressões de grupos organizados e 2) defende a máxima “longe da vista, longe do coração”, uma vez que dos Capas para o Aljube a diferença é só esta: maior visibilidade. Além disso, o vice-presidente durante três anos e agora presidente parece não se preocupar nem apontar soluções para as situações deploráveis do Largo 2 de Março, do Campo de S. Francisco ou da Calheta, locais prediletos dos toxicodependentes que não recorrem aos serviços da Arrisca.

O candidato à Câmara de Ponta Delgada, José Contente, mediou – e bem – as negociações para uma nova localização da Arrisca: no terreno anexo aos Bombeiros de Ponta Delgada. Esta solução apresenta múltiplas vantagens: permanece o atendimento na cidade de Ponta Delgada (de onde originam a maior parte dos utentes), é prestado o serviço em espaço digno e contíguo aos bombeiros (que poderão prestar auxílio em caso de emergência), é um espaço recatado que protege a identidade dos utentes, existe a possibilidade de reabilitação com uma eventual experiência profissional e integração do corpo de bombeiros, é contributo financeiro para os bombeiros através da renda do espaço. A proximidade à Escola Secundária das Laranjeiras e ao Parque Século XXI é um não-problema, já que a entrada se faria pelo lado de S. Gonçalo e existem no local gradeamentos que não permitem esse acesso.

De lamentar foi o episódio da afixação de faixas “metadona aqui não” na Escola Secundária das Laranjeiras. Aqui, também, por vários motivos. É por demais sabido que naquela escola (e noutras) circulam drogas sem controlo; a metadona é uma terapia não um estupefaciente – a metadona é uma terapêutica para o que começa muitas vezes com um “charrinho” nas escolas. Uma infelicidade da qual nenhum de nós está livre.

É hoje público que esse movimento nas Laranjeiras foi incitado pela Juventude Social Democrata dos Açores, já que o presidente da AE da mesma escola veio denunciar a situação em comunicado.

José  Contente é deputado à ALRA por S. Miguel e é também candidato à Câmara Municipal de Ponta Delgada. Identificou uma solução para a Arrisca e para o concelho e não hesitou em mediá-la (ainda que a isso não estivesse vinculado). Pena seja que quem comanda os destinos de Ponta Delgada apenas pretenda deitar abaixo a solução de José Contente, em vez de pensar em soluções para os munícipes do “Concelho Feliz”.

 

 

Tiago Matias

Tradutor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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24 de Abril de 2013


As eleições autárquicas aproximam-se e com elas todo um frenesim político, característico.

Na Câmara Municipal de Ponta Delgada temos hoje um presidente que herdou um legado difícil de gerir, fruto da sua predecessora cuja gestão não foi, convenhamos, a ideal – particularmente do ponto de vista financeiro. Isto poderia ser a premissa de um bom augúrio. Porém, infelizmente, não o é.

O Dr. José Manuel Bolieiro tem seguido um rumo diferente na sua gestão. Mas não deixa de ser importante recordar o seguinte: José Bolieiro foi o vice-presidente de Berta Cabral durante três anos. Então porque não implementou as medidas que tem vindo a promover ao longo dos últimos seis meses? Ou porque é que não se debateu por elas, no mínimo? Porque permitiu o município seguir na senda do endividamento? A resposta é simples; o agora assumidamente candidato autárquico do PSD/A a Ponta Delgada está empenhado numa tentativa de branquear o seu passado político e sacudir responsabilidades.

Numa análise, mesmo que superficial, verificamos que José Bolieiro foi “beber” muitas das suas medidas às propostas do PS/A para Ponta Delgada, ao longo dos anos.

Vejamos.

Bolieiro afirma que é “hora é de arrancar com uma estratégia impulsionadora que envolva todos os agentes com interesse no desenvolvimento da cidade”. O PS/A defende isto desde pelo menos 2005 – o diagnóstico está feito, é hora de passar aos atos.

Bolieiro diminuiu a sobrecarga fiscal e de taxas municipais sobre o negócio, a ocupação do espaço público e o licenciamento de obras particulares. São estas reinvindicações precisamente do PS/A desde há quase uma década.

O candidato do PSD afirmou que “o tempo da autarquia andar de costas voltadas para o Governo Regional tem de passar”. Ninguém objetou mais a postura de “orgulhosamente sós” que Berta Cabral inculcou no município de Ponta Delgada, que o PS/A. Aliás, esta lógica concorrencial não tem o mínimo sentido. Independentemente das cores políticas, freguesias, autarquias e governo regional têm de trabalhar em articulação, em prol de quem realmente conta – a população.

 José Manuel Bolieiro quer agora apostar na “coesão territorial e social, descentralizando e reforçando os meios financeiros de todas as freguesias de Ponta Delgada”. Esta última frase é praticamente tirada a papel químico do discurso de anúncio de candidatura do candidato socialista, o Dr. José Contente.

Por outro lado o facto de José Contente estar já a apresentar propostas tão concretas, a sensivelmente meio ano das eleições, é prova de que o candidato socialista está empenhado em soluções que tirem o município de Ponta Delgada do marasmo em que este se encontra. O facto de José Contente defender os apoios sociais em detrimento do investimento em infraestruturas é prova de que o PS/A apresenta um candidato sensível aos tempos difíceis em que vivemos. O facto de José Bolieiro vir nesta altura – estrategicamente – fazer uma aproximação aos ideais de esquerda apenas prova que Bolieiro é um verdadeiro candidato das ideias alheias.

 

Tiago Matias

Tradutor

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17 de Março de 2013


É certo que vivemos num mundo em constante globalização e por via desse fenómeno temos de enfrentar os prós e os contras do efeito, no entanto não nos podemos esquecer que num plano anterior, possuímos uma nacionalidade bem como uma identidade própria, e que vivemos numa Nação soberana. Pelo menos assim deveria ser.

Antes de formular algum tipo de opinião sobre o tema, o começo do Artigo 1º da Constituição da República Portuguesa dá-nos desde logo e de uma forma expressa a definição da qualidade do nosso País, ou seja, “ Portugal é uma República soberana,(…)”” e que se baseia em princípios muito importantes, tais como o de dignidade, liberdade e igualdade para todos aqueles que fazem parte desta nação. 

O artigo 1.º da Constituição, que considero como um dos mais importantes da Constituição, e que dá legitimidade ao Governo em nome do povo, de interceder e atuar por forma a que a qualidade de vida deste seja o melhor possível, deveria ser motivo mais que suficiente para aqueles que possuem os desígnios da Nação nas suas “mãos”, entenderem que se está a descurar um documento que é a base da regulação da vivência social, económica, e institucional de Portugal, fazendo-me chegar à conclusão que o que deveria ser não o é e que, apesar de ser usual nos meios de comunicação social a utilização da palavra “inconstitucional”, não estão, e provavelmente não serão, implementadas medidas ou tomadas decisões conscienciosas com vista à “restauração” de uma qualidade que foi construída e adquirida arduamente com recurso ao suor e ao sangue dos nossos antepassados.

Mas afinal como podemos definir a soberania do Estado Português e onde está essa dita soberania?

Tendo em conta as considerações teóricas sobre a matéria, e de uma forma muito superficial, podemos considerar a soberania como uma qualidade inerente a um Estado, neste caso o Estado português, o qual não reconhece entidades superiores a este, quer seja no plano interno quer seja no plano internacional, daí, e tendo em conta a conjuntura económico-politica atual, seja legitimo considerarmos que vivemos num país à mercê das ordens emanadas por entidades que não deveriam interferir nos assuntos internos dos estados, e que são essas mesmas entidades que estão a regular o funcionamento de um país, o que por sua vez se repercute diretamente com a vida da população, a qual vem sofrendo, a um ritmo galopante, um agravamento das suas condições de sobrevivência.

Embora seja algo indesejável por parte da maioria dos portugueses, não é difícil compreender que no momento atual e por vários motivos, o Governo deixou de ter influência e poder para resolver alguns assuntos relacionados com a Nação e que soberania só mesmo na Constituição da República Portuguesa.

 

 

Filipe Costa

15/03/2013

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1 de Janeiro de 2013


“O meu movimento” é uma plataforma virtual, criada no portal do governo da república. Nas palavras dos mesmos, a iniciativa pretende “dar uma oportunidade a todos de participar no debate sobre o futuro do nosso país. De uma forma lúdica e simples, qualquer cidadão português pode defender as causas em que acredita, fazendo-se ouvir por todos – e especialmente pelo seu Governo.” No entanto, para além de uma conversa pessoal com Passos Coelho, nada sabemos sobre o que pretende o governo fazer com as causas vencedoras.
No dia 30 de dezembro terminou a votação na segunda edição do concurso. A segunda, porque a primeira terminou no início de 2012, e pouco ou nada diferiu da segunda. Nas duas edições foram criados centenas de movimentos mas o tema transversal aos que sempre lideraram as tabelas de mais votados foi claro como água, e só deixou dúvidas a quem as quis ter. Alteração do estatuto jurídico dos animais, fim do uso de animais em circos, interdição de menores em espetáculos tauromáquicos, fim dos canis e gatis de abate ou nova lei de proteção animal foram causas que se mantiveram nos primeiros lugares. Está à vista, para quem quiser ver, que na sociedade portuguesa há uma preocupação crescente e ativa com questões relacionadas com a proteção animal. Mas a população apostou em força noutra causa, tanto na primeira como na segunda edição, a causa anti-tauromáquica.
Na primeira edição o Movimento do Sérgio manteve-se imperturbável, do início ao fim, no primeiro lugar do concurso, era o movimento pelo “Fim das Corridas de Touros”. Agora, na segunda edição, os portugueses continuaram a manifestar o seu profundo desagrado com a prática de espetáculos tauromáquicos em Portugal, acrescido ao facto de agora perceberem que estes são feitos à custa dos seus impostos. Assim, saiu vencedor o Movimento do Rui Manuel, pelo “Fim dos Dinheiros Públicos para as Touradas”.
Ao longo de 2012 assistimos a uma expressão popular clara de repúdio ao uso dos dinheiros públicos para a tauromaquia. Foram criados movimentos, feitas campanhas, entregues petições, em território continental e nas nossas ilhas dos Açores. Felizmente, o arquipélago da Madeira não padece deste mal. Assistimos também, pelas mãos do PEV e do BE, o assunto a ser levado à Assembleia da Republica, prova de que a voz das pessoas se faz ouvir, ainda que só por alguns.
Mas não pode ser só por alguns, não pode, porque o governo de Passos Coelho criou um espaço para que as pessoas pudessem defender as suas causas ao criar uma iniciativa que dá oportunidade aos cidadãos de exporem as razões pelas quais defendem causas, na primeira pessoa, ao primeiro-ministro de Portugal.
Com toda a legitimidade, exige-se agora que o governo de Passos Coelho aja com alguma coerência e dê respostas às situações que ele próprio criou. O governo de Passos Coelho disse querer ouvir os cidadãos e os cidadãos falaram, falaram e foram claros. Agora, resta-lhe cumprir a sua parte sem demoras, sem rodeios e sem touradas.

 
Francisca Ávila

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13 de Dezembro de 2012


As eleições de dia 14 de Outubro tiveram um resultado claro e que não merecem grandes comentários adicionais.  Contudo, e porque se volta à política, importa deixar algumas notas.
 
André Rodrigues, um jovem arquitecto de 28 anos, teve a coragem de encabeçar e ser eleito pela lista do PS da ilha de São Jorge. Não se sabe se ficará muito tempo, ou se tentará migrar para a Câmara de Velas (renunciando ao mandato de deputado para se candidatar, ou mantendo o lugar na Horta?), mas a verdade é que não parece estar em grande consonância com o Governo Regional. Ora, a propósito do Programa de Governo para 2012-2016, diz André Rodrigues que “para um contexto de sustentabilidade financeira dos Açores, é essencial vencer três grandes desafios nesta legislatura: a revisão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas, a definição do próximo Quadro Comunitário de Apoio de 2014/2020 e a manutenção da atual estrutura de repartição de encargos e responsabilidades entre a Administração Central e a Administração Regional”
 
Rodrigues esquece-se que a Lei de Finanças Regionais não depende da Assembleia Legislativa Regional de que é membro. Essa é uma competência da Assembleia da República que tem maioria PSD/CDS. Se essa é uma prioridade dos parlamentares socialistas, então, está condenada ao fracasso. Até Carlos César, em Março do presente ano, veio felicitar a não revisão de tão importante Lei. Estranhas contradições.
 
Em segundo, a gestão dos fundos comunitários depende não do Governo e da Assembleia Regional (embora possam participar da discussão), mas do Governo da República. O deputado socialista reconhece isso, mas estranha-se que coloque como prioridade um assunto que não cabe na sua alçada.
 
Terceiro, a repartição de encargos já é feita à luz dos instrumentos que existem. Do Estatuto Político-Administrativo, da citada Lei, e de outros mecanismos que têm mais carácter nacional que regional. Depende, por isso, mais da vontade da República e não da vontade regional.
 
Esta estranha obsessão em querer retomar e reformar o Estatuto Político-Administrativo não tem cabimento. O Estatuto foi alterado (bem ou mal, não se discute isso aqui) na última legislatura (que tinha maioria PS na Região e contava com amplo consenso na Assembleia República). Não foi criada, sequer, jurisprudência sobre o assunto. E muitos dos intrumentos jurídicos ao dispor da autonomia nem estão a ser aproveitados pelos órgãos regionais. Porque é que se quer voltar a mudar? Estas tiradas, de pendor orgulhosamente autonómico não passam de palavras ocas.
 
Deverão ser outras as preocupações dos representantes açorianos. Todos queremos crescimento, competitividade e emprego. Deixemo-nos de lugares comuns. O ponto resume-se à  definição de prioridades e alocação de recursos.
 
Curioso é que no Programa de Governo dos Açores, (250 páginas de pura poesia atlântica) surja apenas uma referência à ilha de São Jorge. Melhor que Calheta e Velas, que são totalmente omitidas no documento (tal como têm sido apagadas do mapa pela classe política de São Jorge.)
 
Até nisto há desertificação. Talvez, quem sabe, por culpa do dicionário do WORD que não reconhece 9, mas sim 1, 2 ou 3 ilhas nos Açores (e não será o único…). Se, num extenso programa de governo, uma de nove ilhas aparece apenas uma vez referida está tudo dito quanto ao seu peso no panorama regional. E quanto ao peso dos seus políticos no panorama regional.
 
Esse é um aspecto que desde há algum tempo me tem suscitado alguma inquietação e que, de certa forma, surge relacionado com uma promessa do PSD, de Duarte Freitas, em reduzir o número de deputados.
 
As ilhas com menor população têm, proporcionalmente, menos deputados, assegurando-se, contudo, sempre a presença de 2 sob pena do Corvo não ficar representado. A questão reside na proporcionalidade.
 
A esse nível, o que sucede é que ilhas populosas, como São Miguel e Terceira, concentram a maioria (19 e 10, respectivamente) dos 52 deputados. Sem contar com os 5 que poderão ser eleitos por qualquer ilha (embora tradicionalmente reforcem esses 29). Tal significa que um deputado de uma ilha pequena, como São Jorge (elege 4) , Graciosa (3) ou Flores (3), tem de trabalhar o dobro ou o triplo para conseguir responder aos anseios da população. E a realidade mostra-nos que os deputados de ilhas pequenas têm de lutar não só contra o centralismo do governo regional, mas também contra o centralismo do próprio aparelho partidário. Migalhas para uns são milhões para outros. E é nessa luta de formiga que se faz a política regional.
 
Se não é pelo número, tem de ser pela qualidade. E são escassos, em comparação com ilhas maiores, os recursos humanos qualificados técnica e politicamente para exercerem funções públicas.
 
A escola da vida é importante. Sempre foi. Mas hoje colocam-se também outras exigências. Quem não está atento ao que se passa, por exemplo, na Europa, dificilmente poderá explicar porque é que os fundos comunitários vão terminar. Quem não compreende o que é um défice ou uma dívida pública, dificilmente compreenderá os cortes na despesa e a situação de aperto que vivemos hoje. E assim por diante.
 
O que falta na sociedade, falta na política. Faltam-nos pessoas qualificadas, inteligentes, interessadas e intelecualmente honestas. Falta até algum desprendimento, alguma independência pessoal e económica e maior sentido crítico em relação à corrupção moral. Até para elevar o debate político e deixar de o remeter para os cafés onde impera a politicazinha barata e paroquial.
 
São Jorge tem sofrido com a falta de quadros. As elites (seja lá o que isso for) são poucas ou inexistentes. E assim, lutar contra os doutores das ilhas grandes, torna-se muitíssimo mais difícil. Se não é pelo prestígio pessoal, fundado em créditos profissionais ou académicos (sem desprimor para o conhecimento da vida em sociedade), não afirmamos a nossa voz. Porque elas são poucas, porque estão a diminuir e porque ninguém com autoridade parece realmente estar inquietado com isso.

 
 

 

 

 

João Mendonça Gonçalves
Mestrando na Universidade Católica Portuguesa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1 de Maio de 2012


O documentário – diário pessoal, género que parece ser insuficiente para o produto final – de Gonçalo Tochas sobre a ilha do Corvo, é de uma extraordinária criação.

              É arrebatadora a forma como o realizador e produtor, juntamente com Didio Pestana, conseguem captar a essência, o perfume daquele pedaço de terra, nosso, no mais ocidental da ocidental Europa.  Aquela ilha, que se mostra um bastião de resistência, no meio de um oceano em permanente fúria, e de um vento em constante ebulição, é-nos revelada de uma forma que só julgávamos possível se nela pisássemos, se nela tocássemos, se nela sentíssemos o seu cheiro, se a escutássemos, no meio do silêncio do Alântico.

              A premissa por que começa a longa-metragem, de conhecer todas as pessoas, todas as casas, todas as pedras, todas as vacas, cabras, porcos, de conhecer tudo, numa ilha com 440 corvinos, parece ter ficado bem presente no decorrer desta aventura em que fomos convidados a entrar.

              O Ti Zé Pedro, a dona Inês, que costura o boné (típica dos lavradores e baleeiros da ilha), o Baptista, e todas as personagens – riquíssimas – que Gonçalo Tochas teve a capacidade de nos trazer, são personagens naturais, inseridas numa paisagem, que só ali, no Corvo, poderíamos encontrar.

              Há um certo bucolismo nas imagens e no som captados. Somos levados a um outro estado, difícil de compreender, para quem não é açoriano. Mesmo assim, parece que em cada ilha há um Açores diferente e, por mais açorianos que sejamos, nunca deixamos de nos surpreender.

              O sangue açoriano do realizador não é seguramente alheio ao resultado alcançado. À profundidade e intimidade que ali registou e que connosco partilhou. O próprio confessou, a um jornal da região, que o Arquipélago é “memória de infância, de fascínios” que o “salvou na sua infância e na sua vida”. A beleza nas imagens e nas palavras fazem de Gonçalo Tochas um embaixador do melhor do que somos feitos. O gesto de, primeiro mostrar o filme no Corvo, antes de em qualquer outro sítio, é de quem ficou profundamente tocado e ligado àquela realidade e àquelas pessoas.

              Em “É na Terra, não é na Lua” há uma certa magia, a tal “Natureza Mágica”, que nos encanta, que nos abre o coração e desperta em nós uma enorme vontade em agarrar uma mochila e seguirmos os passos ali percorridos. De conhecer todas as pessoas – e não meras personagens – todos os cantos, todas as casas, toda aquela vida, naquela vila, mais a oeste do que nunca.

              Maria João Avillez – também deslumbrada pelas inacreditáveis três horas de película – escrevia no Público (27/04/2012) que “é fácil filmar o mar e o céu. Filmar a “alma” é para raros”. Foi o que Gonçalo Tochas fez. A ele lhe devemos o facto de nos ter trazido um pedaço de nós, porventura, desconhecido, e de, com isso, nos fazer sentir mais orgulhosos do que nunca da nossa alma açoriana.

 

 

 

João Luís Mendonça Gonçalves

(estudante universitário | natural da ilha de São Jorge)

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9 de Fevereiro de 2012


                                                                                 A estratégia de César

 
As próximas eleições regionais podem ficar marcadas por uma mudança de ciclo político. À semelhança do que aconteceu em 1996, com a saída em definitivo de cena de João Bosco Mota Amaral, da primeira linha da vida política regional, também agora nasce a oportunidade de se iniciar uma nova etapa nos Açores. Carlos César é, com todos os seus defeitos e qualidades, o rosto de um período de progresso e de grande desenvolvimento para o Arquipélago. É também o rosto, e isso resulta muito das maiorias absolutas sucessivamente conquistadas, da castração de uma sociedade civil livre e plural. Não me custa reconhecer os seus méritos. Mas não posso esconder que os governos de César (em regra, são assim que se comportam os governos absolutos), acabaram por fazer eclipsar as células vivas da sociedade: as instituições, as associações, e, numa perspectiva liberal, os indivíduos.

Tudo dependerá do que os açorianos decidirem em Outubro deste ano. Embora, verdade seja dita, que Vasco Cordeiro representa, em pior versão, um Carlos César dos pequeninos. E digo-o com todo o respeito. Onde um tinha firmeza a mais, o outro tem-na a menos. Onde César era astuto, Cordeiro faz jus ao nome. Onde César tem resultados, Vasco acumula fracassos (transportes, desempenho económico, desemprego… and so on!)

Não podendo César recandidatar-se (devido à limitação de mandatos prevista no Estatuto Político-Administrativo dos Açores), avançou Vasco Cordeiro: sem Congresso, escolhido à porta-fechada, numa (ingénua) jogada do PS/Açores, previsivelmente, para retirar espaço a qualquer contestação interna (já que Sérgio Ávila e José Contente poderiam baralhar as contas). Ganha o PSD que poderá fazer não esquecer ao eleitorado a falta de legitimidade do candidato socialista, ou melhor, a legitimidade reduzida de quem se pretende candidatar a Presidente do Governo Regional. Enfraquecida estava, enfraquecida está. Não poderia haver uma melhor oportunidade para fazer uma viragem no panorama político açoriano.

Nas conversas de bastidores do PS, a tensão e a preocupação aumentam. Não é certa a vitória do PS, e Carlos César pode mesmo sair definitivamente do palco. A ideia, que percorre alguns dos seus fiéis, de que César eleger-se-á deputado e chegará a Presidente da Assembleia Legislativa Regional (porque a política passará pela ALRA, à falta de dinheiro – uma realidade que rebentará mais cedo do que tarde – vejam-se as críticas do Tribunal de Contas acerca de encargos futuros desorçamentados no valor de 3 biliões) para poder continuar a mandar atrás da cortina, é uma ideia que pode cair por terra se o PS não conseguir vencer as próximas eleições ou se não conseguir um acordo, de circunstância, com o CDS/PP. A ilusão, alimentada no consulado de Sócrates, de que César poderia transitar para o Governo da República, ou mesmo aspirar a uma candidatura presidencial, faz lembrar a história de quem tudo quer, tudo perde. E uma vez mais, a história parece vir a repetir-se. É o que dá querer ser magnânimo…

Veremos o que se passará em campanha.

Já estamos habituados a que nestas, tudo valha. Não esperaria era que começasse tão cedo. Não é que, não só as acções do Governo parecem estar a cargo de Vasco Cordeiro (para começar a ganhar notoriedade) como foi lançado um jornal, o Jornal Açores 9 (e tantos são os jornais ditos independentes lançados, misteriosamente, a um ano de eleições), de propaganda socialista, alimentando a publicidade e notícias do Governo Regional. É inacreditável! Pensei, ingenuamente, que existiriam limites para o descaramento para se fazerem estas habilidades. Com uma tiragem de 50.000 exemplares, os CTT como parceiros de distribuição e com um teor manifestamente propagandístico, só falta anunciarem mesmo a criação do Ministério do Amor, da Paz e, porque não, da Verdade. Com respeito pelos colunistas que se prestaram a esse serviço (e por alguns, até tenho estima pessoal), essa forma de fazer política, utilizando o dinheiro de cada um de nós, devia há muito ter sido banida. Faça-se política. Mas com igualdade de armas. Numa sociedade verdadeiramente livre e esclarecida, isso mereceria um imediato repúdio e a vergonha geral dos militantes de um Partido que muito contribuiu para a democratização do nosso País.

 

João Mendonça Gonçalves

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