Amigos dos Açores querem debate alargado sobre construção de incineradora

O presidente da associação ambientalista Amigos dos Açores, Diogo Caetano, apelou aos partidos políticos para que tomem posição sobre a construção de uma incineradora de resíduos em S. Miguel, defendendo a necessidade de um debate alargado.
 “Está tudo tendencialmente feito para ser um facto consumado. Agradava-nos que pudesse haver afirmações públicas dos partidos sobre esta matéria porque seria uma maneira de suscitar o debate na sociedade”, afirmou Diogo Caetano em declarações à Lusa.Para o dirigente ambientalista, a construção desta incineradora de resíduos “não tem sido debatida pelos partidos”, defendendo que, atendendo aos riscos ambientais e ao montante do investimento previsto, cerca de 100 milhões de euros, deveria ser debatida no parlamento regional “e não passar apenas pelo circuito de aprovação de um projeto”.

A construção da incineradora consta do projeto do Ecoparque da Ilha de S. Miguel, cujo estudo de impacte ambiental se encontra atualmente em consulta pública.

A associação Amigos dos Açores lançou um manifesto na Internet contra este equipamento, tendo Diogo Caetano recordado que a questão “divide” o PS, partido maioritário na região, com alguns antigos responsáveis na área do Ambiente a pronunciar-se contra a incineradora.

“Estranhamos muito que, sendo este o mesmo governo que em 2004 se manifestou contra a incineradora, seja agora quase o promotor da iniciativa, apoiando a Associação de Municípios de S. Miguel nesta solução de tratamento de resíduos”, frisou o dirigente ambientalista.

Para Diogo Caetano, “queimar não é solução para o tratamento de resíduos”, além de não ser a melhor opção em termos ambientais, nem a que mais responsabiliza os cidadãos.

“Contrariamente à queima, privilegiamos a redução da produção de resíduos, a sua reutilização e reciclagem”, afirmou, defendendo ser “muito importante investir na sociedade para que as pessoas sejam capazes de fazer uma seleção de resíduos eficaz que permita aumentar a reciclagem”.

Nesse sentido, lamentou que as pessoas “sejam capazes de se deslocar 10 quilómetros para comprar um produto, mas não sejam capazes de andar 100 metros para colocar um material no ecoponto”.

“A incineradora cria a imagem de que o que não serve é para queimar, demitindo os cidadãos de uma maior envolvência no tratamento de resíduos”, frisou Diogo Caetano.

O Manifesto contra a Incineração nos Açores, disponível na Internet, recorda que “existem convenções internacionais que recomendam que o uso da incineração seja eliminado progressivamente”.

O documento considera ainda que a qualidade ambiental dos Açores não é compatível com uma opção que “produz emissão de gases que contribuem para o aquecimento global”.

Nesse sentido, apela à “proibição da instalação de incineradoras nos Açores”, frisando que a incineração é uma “prática altamente comprometedora e incerta quanto aos riscos ambientais para as gerações presentes e futuras”.

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