“Instabilidade e forte apreensão” na RTP/A

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As demissões de várias chefias, nomeadamente dos chefes de redacção da rádio e da televisão, e a recente  acusação de ingerência do poder político no alinhamento dos noticiários são alguns dos acontecimentos que têm contribuído para gerar  “instabilidade” e  “forte apreensão” junto dos  profissionais da RTP-Açores, ao ponto de estar já agendada para o próximo dia 30 uma reunião de trabalhadores.
Em comunicado, a Subcomissão de Trabalhadores da rádio e da televisão pública regionais invoca, por exemplo, o alegado mau funcionamento do “grupo de liderança” argumentando que “não podem ser sintomas de boa saúde desta equipa directiva” a recente “cascata de demissões acontecidas na RTP-Açores”.

Indicadores que dizem “revelar instabilidade neste Centro Regional e de algum modo evidenciar a ruptura de um projecto que não consegue reunir os necessários consensos”.

Quanto à eventual ingerência do poder político na informação e no alinhamento dos noticiários, denunciada recentemente pelo grupo parlamentar do PCP, a Subcomissão entende que, mais grave do que não ter sido averiguada a veracidade das denúncias, é o facto de a situação não ter merecido qualquer comentário por parte da Direcção.

A esse propósito, assumem os trabalhadores, “parece ter sido suficiente o desmentido governamental”.

E no que concerne à alegada inferência do Governo Regional na acção noticiosa do canal regional, a Subcomissão de Trabalhadores não se coibe de afirmar que “existem dados que comprovam uma atitude de pressão arrogante e prepotente”.
A atestar esse facto apontam “o comunicado do Governo acusando um/a jornalista de tentativa de desinformação ou o subserviente  pedido  de desculpas ao presidente do governo por uma reportagem de que Sua Ex.ª não apreciou o estilo”.

No documento a que o AO online teve acesso, os trabalhadores fazem igualmente notar o seu descontamento com a criação em Lisboa de um Gabinete de Apoio às Operações às Operações Regionais por entender que com o mesmo o Conselho de Adminstração(CA) “ demonstra uma falta de confiança, na prática, nos directores dos Açores e  da Madeira”.

“Qualquer trabalhador sabe que, sempre que se cria um gabinete de apoio ou uma comissão de analise ou outra qualquer estrutura paralela, tende a burocratizar, a desresponsabilizar os autores e a impedir a resolução rápida de qualquer problema”, acusam.

Aliás, no concerne ao “tratamento” dado por Lisboa aos centros das Regiões Autónomas, a Subcomissão refere mesmo que “nunca algum CA se atreveu a ser, filosoficamente, tão centralista” ao considerar, através de uma ordem de serviço, “a RTPAçores e RTPMadeira como ‘estruturas periféricas’ e que são equivalentes aos restantes centros regionais que não possuem qualquer produção própria, nem emissões consecutivas de mais de 16 horas diárias de rádio ou televisão com autonomia consagrada na lei”.

Ao rol de contestações, soma-se ainda o alegado agravamento das condições de trabalho, com os trabalhadores a manifestar apreensão quanto ao estudo que foi encomendado pelo CA no  sentido de “comprimir todos os serviços num único edifício que foi construído para acomodar apenas a Rádio”.

É que, segundo a Subcomissão de Trabalhadores, “o já mítico ‘novo edifício’ a ser construído de raiz, uma bandeira deste  projecto de unificação da Rádio e da Televisão, nem no papel existe”.

in AOriental / Luísa Couto

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