Saúde nos Açores “é calamidade pública” – Denuncia Artur Lima

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O Líder Parlamentar do CDS-PP Açores, Artur Lima, afirmou, esta quarta-feira, que a saúde nos Açores é “uma calamidade pública”, porquanto os doentes “são tratados sem o mínimo de respeito e dignidade”, sendo “o sofrimento e a angústia de tal ordem que os doentes preferem, enquanto podem, padecer com a doença a serem tratados”.

 

Em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, o parlamentar centrista considerou que “o acesso aos cuidados de saúde é cada vez mais difícil e penoso para os Açorianos e, em muitos casos, torna-se num verdadeiro calvário”.

 

“Existem doentes há dois e três anos à espera de uma consulta de especialidade e outros que lhe vêem ser negados os mais elementares cuidados de saúde e quando acedem a estes são tratados sem o mínimo respeito e dignidade”, denunciou Lima.

 

Citando Mário Soares, perante o estado da saúde na Região, o democrata-cristão apelou a que “o Povo dos Açores exerça o seu direito à indignação”.

 

Dando exemplos concretos, Lima apontou o caso de um doente que, depois de já ter estado duas vezes na sala de operações, disse: “… Já avisei que não quero mais ser operado…”.

 

“Isto revela bem o desespero de um doente que, por duas vezes, esteve no bloco operatório do Hospital de Angra para ser operado”, lamentou.

 

Mas, acrescenta, “quando o padecimento se torna insuportável e recorrem ao Hospital, porque não têm mais para onde ir, são tratados com indiferença e com uma desumanidade atroz. São tratados, como diz o nosso povo, abaixo de cão”.

 

Nesta situação, segundo o líder parlamentar popular, encontram-se vários idosos “em situação de dependência extrema, alguns praticamente na fase terminal da sua vida e que ficam em casa abandonados pelo sistema, perante o desespero e impotência da família”.

 

Para o CDS-PP é fundamental que os governantes se “deixem de propaganda” e de “anunciar que investem milhões em informatização”, esquecendo que “há gente nos Açores, todos os dias, a morrer à míngua. Esta é a realidade”.

 

Aliás, Artur Lima vai mais longe e interroga-se: “Será que estamos perante um novo tipo de eutanásia, a eutanásia socialista, a eutanásia com sofrimento?” 

 

A ordem é para poupar 

O dirigente centrista deu vários testemunhos de doentes e/ou familiares que alegam ter sido mal tratados no Hospital da Ilha Terceira: “Não vale a pena vir cá mais”… “Porque é que traz esta senhora para o Hospital?”… “Pode levá-la para casa porque vai morrer nas próximas 48 horas”… “A sua mãe agora tem uma sonda para lhe poder dar a comida com uma seringa”… “Não temos mais nada para lhe fazer”.

 

Tudo isto, censura Lima, “são testemunhos de familiares desesperados que foram corridos do Hospital de Angra quando procuravam apenas ajuda para os seus idosos gravemente doentes”.

 

Lima diz-se desconfiado que “existem ordens claras dadas pela tutela, especialmente desde que os hospitais regionais foram transformados em Entidades Públicas Empresariais, para que não se mantenham os idosos nos hospitais porque custam muito dinheiro”.

 

No entanto, frisa, “para se ter uma pessoa doente em casa é preciso que o Governo lhe garanta condições e apoio para poder ser tratada com dignidade e com o mínimo de sofrimento possível”.

 

Para os populares “estamos perante uma política de saúde desumana e conivente com um sofrimento humano atroz e inaceitável. O CDS-PP está indignado e responsabiliza directamente o Secretário da Saúde por esta política economicista que preza os números e despreza as pessoas. O senhor Secretário não pode armar-se em vítima e passar a vida em acções de propaganda, fazendo de conta que não sabe de nada e a assobiar alegremente para o lado, enquanto as verdadeiras vítimas, os doentes, são desprezados e mal tratados pelo sistema”.

 

Artur Lima acrescenta que “o senhor Secretário da Saúde é ética, moral e legalmente responsável e, por isso, exigimos medidas imediatas para acabar com este tipo de situações atentatórias dos mais elementares direitos dos doentes”. 

 

Basta cumprir a lei 

Para os centristas a resolução de alguns destes problemas passa pela aplicação prática de legislação que o Governo Regional fez aprovar há um ano: a Rede de Cuidados Continuados Integrados da Saúde.

 

“Onde estão os cuidados médicos diários? Onde estão os cuidados de enfermagem permanentes? Onde estão os cuidados continuados e as equipas de cuidados paliativos domiciliários? Onde está a unidade de cuidados paliativos do Hospital de Angra?”, questões que Lima quer ver esclarecidas com urgência. 

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