Cada vez mais açorianos sem dinheiro para pagar água, luz e gás

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aguaA degradada situação financeira de várias famílias açorianas está a fazer aumentar os casos de atraso no pagamento de serviços como água, electricidade e gás. Segundo as empresas fornecedoras, em 2009 a situação não vai melhorar.

 

São cada vez mais os consumidores açorianos que não conseguem cumprir as suas obrigações no que diz respeito ao pagamento de serviços essenciais como a água, a electricidade e o gás. O número de incumpridores tem vindo a acentuar-se desde a segunda metade do ano passado e mostra que também nos lares açorianos se sentem os efeitos das dificuldades económicas a nível internacional.

 

Exemplo flagrante desta situação é a evolução da quantidade de cortes de água efectuados pelos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Ponta Delgada (SMAS): enquanto a média mensal de cortes no abastecimento de água em 2007 se aproximava dos 400, tendo registado um ligeiro aumento na primeira metade do ano de 2008, a média entre Agosto e Dezembro do ano passado aumentou para cerca de 850, revelou fonte dos SMAS, acrescentando que, no último mês de 2008, aproximadamente 980 famílias viram mesmo o fornecimento de água ser cortado na sua residência.

 

“Não há sinais de que a situação venha a melhorar em 2009”, garante a mesma fonte, já que os dados mais recentes mostram que continuam a ser emitidos cerca de 4 mil avisos de pagamento em atraso – num universo de 33 mil consumidores – números muito próximos dos registados no final do ano transacto.

 

Recorde-se que o preço da água em Ponta Delgada manteve-se, em 2009, igual ao ano passado para os três primeiros escalões, abrangendo cerca de 82 por cento dos consumidores, o que pode estar a contribuir para que a situação não seja mais preocupante.

 

No que diz respeito ao fornecimento de gás canalizado, os incumprimentos no pagamento começaram a aumentar nos últimos meses de 2008 e este “começa a ser um problema”, revela Mário Gomes, da empresa A.C. Cymbron, que tem mais de 4 mil clientes para este tipo de produto. “Este ano está terrível”, acrescenta, porque são cada vez mais frequentes as situações de “saldo insuficiente” nas tentativas de transferência bancária – modo de pagamento mais utilizado para este serviço.

 

Quanto ao pagamento de electricidade, são os pequenos empresários e pequenos comerciantes os primeiros afectados e os que começam mais cedo a ter sérias dificuldades para não acumular dívidas. E tal como nos outros sectores, 2009 não reserva boas notícias: “a partir do mês de Março, poderá haver mais incumprimentos”, revelou Paulo Bermonte, director comercial da EDA. No entanto, os indícios de dificuldade que agora surgem só podem ser confirmados em Abril e Maio, altura em que os actuais incumprimentos podem resultar em cortes efectivos de energia.

 

Dado que se trata de serviços essenciais, em grande parte dos casos, os consumidores optam por pagar a dívida – e a respectiva taxa de reactivação do serviço – no próprio dia do corte, de modo a que o serviço seja reposto de imediato.

 

Para evitar que as famílias percam o acesso aos serviços, as empresas podem conceder facilidades no pagamento das dívidas, estabelecendo um plano a prestações. No entanto, as facilidades são apenas concedidas no caso de comprovada necessidade do agregado e tendo em conta o histórico do cliente. Cada caso é analisado cuidadosamente.

 

 

 

 

 

João Cordeiro (in AOriental)

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