Sónia Nicolau | “Aqui poderia ser a Terra Prometida

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Sónia Nicolau - Professora e Deputada PS/Açores | Foto - Rui Soares

“Aqui poderia ser a Terra Prometida”, frase forte do romance histórico de Madalena San-
Bento, “ Terra Nostra, Terra Sonhada”.

Um romance histórico de amor pelos conhecidos e desconhecidos, amor pela terra, amor
pelo passado, presente e futuro. Amor pela terra que se chama Açores. Amor pelo que a
terra Açores fez crescer em quem acreditou na terra prometida, na terra sonhada.

Nada menos merece que uma leitura cuidada, sensível, apaixonada e disponível para
viajar em cada página. A realidade vivida nesses tempos que as 375 páginas relatam. A
realidade que é “ a coisa mais fantástica que lhes acontece”. Que nos acontece.

A cuidada divisão por protagonistas que se relacionam ao longo desta viagem literária
aguça o virar de cada página. Relacionam-se entre si. Entre as ilhas. Entre as paisagens.
Entre o amor e ódio das famílias. Entre a amizade e a gratidão. A construção e o
desabamento. A capacidade de resiliência e a persistência espelhada na construção de
património que hoje é a delícia dos que vivem e visitam São Miguel. O relato dos banhos
termais nas Furnas é de um arrojo emocional. Parágrafos de sentimento, de calores e
amores. O relato de espaços de um São Miguel de outros tempos, pobre e com divisões
sociais. Coisas ainda persistentes nos dias de hoje. O relato de uma monarquia, onde D.
Carlos, revive um teimoso centralismo e em jeito de favor em vez de solidariedade, retrata
que “ Onde iria Portugal arranjar verba para satisfazer esta gente, cada vez mais exigente
e consciente dos desfavores”.

Cada página é como se fosse uma rua, um protagonista, da história dos Açores, de “Terra
Nostra, Terra Sonhada”, em verbos românticos que nos cativam e emocionam na
aprendizagem de uma parte da história dos Açores na simplicidade que só o amor
protagoniza e a coragem empreendedora vinca. Em realidades tão nossas que quase
sentimos e cheiramos o aroma das laranjas que passara “a ser fonte de riqueza” em vez
do “comer só do chão”; ou onde os “estrangeiros vinham ao cheiro do sangue dos
cachalotes e do vinho”, e hoje, os turistas , estrangeiros ou não, visitam-nos para avistar
cachalotes e provar o vinho.

Com realidades do passado, se forma a realidade do futuro dos Açores. É um romance de
máquina do tempo. É um romance onde o tempo existe, mas o que importa é “ hei de
galgar muitos caminhos e lugares; todos farei grandes coisas; mas só num derramarei a
semente da minha vida”.

Haverá melhor lugar para derramarmos a nossa semente? A realidade é mesmo a coisa
mais fantástica que nos acontece. Acontece na Terra Prometida, Terra Sonhada. Com
protagonistas de nascimento e de coração. De seu nome, Açores.

 

Sónia Nicolau / Setembro 2018

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