Quinta-feira, Dezembro 13, 2018
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“Nos Açores há muito que não se vive uma democracia plena”, diz Paulo Estêvão

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O deputado do PPM no parlamento dos Açores levou, esta quinta-feira, ao debate parlamentar o ‘Feiticeiro de Oz’, traçando analogias entre as personagens da história e membros do executivo e sustentando que não se vive uma “democracia plena” na região.

“Nos Açores há muito que não se vive uma democracia plena. Nem todos são livres de dizerem o que pensam. Muitos não pensam o que se sentem obrigados a dizer”, advogou Paulo Estêvão, falando no encerramento da discussão na generalidade das propostas de Plano e de Orçamento para 2019.

Para o deputado monárquico, a “esperança de vida profissional” é “muito curta para todos os que se atrevem a discordar” do Governo Regional: “Mais tarde ou mais cedo, a sombra negra do longo braço do poder regional chegará, de uma forma ou de outra, às vidas dos que se atreverem a pensar e a agir como homens e mulheres livres”, acusou.

O Plano e Orçamento para 2019 foi apresentado nos últimos dias, prosseguiu o deputado, “em forma de monólogo pelo governo socialista”, sendo que, criticou, “quase não foi possível fazer perguntas, não foi possível discordar” das opções do executivo liderado por Vasco Cordeiro.

“Os documentos orçamentais socialistas não são deste mundo. São uma fantasia. Um conto para crianças. Olhei para eles e lembrei-me do clássico imortal da literatura infantil de L. Frank Baum: ‘O Feiticeiro de Oz'”, prosseguiu.

Depois, Paulo Estêvão traçou algumas analogias entre membros do executivo e personagens da ficção: o secretário da Saúde, Rui Luís, é o Lenhador de Lata, a quem “falta um coração, mas a verdade é que tem acesso fácil à tecnologia de reanimação”, ao passo que para Leão Cobarde, “corajoso”, Estêvão escolheu o secretário da Agricultura, João Ponte.

“É preciso muita coragem para aceitar gerir uma pasta a respeito da qual não se percebe coisa alguma. O outro candidato óbvio era o atual presidente da Sata, outro corajoso”, prosseguiu o deputado do PPM.

E rematou: “Já descrevi, através da alegoria do ‘Feiticeiro de Oz’, o que penso do Plano e do Orçamento para 2019. Não é credível. É uma espécie de fábula de encantar. As sucessivas execuções de apenas 70% – quando no tempo de Carlos César atingiam os 95% – mataram a credibilidade da execução orçamental dos governos liderados por Vasco Cordeiro. É um orçamento de propaganda, que não resolverá nenhum problema da sociedade açoriana”.

Para a ilha do Corvo, por onde foi eleito, Paulo Estêvão assegura que irá lutar por ligações aéreas diárias: “Quero, e vou, acabar com mais esta discriminação sem sentido. Açorianos somos todos”, vincou.

A proposta de Orçamento dos Açores para 2019, cujo debate e votação sucedem até sexta-feira, tem um valor global de 1.604,8 milhões de euros e pretende ser, diz o executivo regional, um documento de “confiança” e “previsibilidade” no trajeto económico.

Dos mais de 1,6 mil milhões de euros do orçamento, um total de 205,6 milhões de euros diz respeito a operações extraorçamentais.

“Prevê-se que as despesas de funcionamento dos serviços e organismos da administração regional atinjam os 887,5 milhões de euros, sendo financiadas quase integralmente pelas receitas próprias, que se estimam em 742,3 milhões de euros, o que corresponde a uma taxa de cobertura de 83,6%”, indica a proposta.

O parlamento dos Açores debate e vota esta semana o Orçamento, sendo que o PS, partido que suporta o Governo Regional, tem maioria absoluta no hemiciclo.

 

Lusa

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