Pela valorização do melhor leite da Europa – Mónica Rocha

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Apesar do seu valor e potencial, a nossa agricultura vive dias conturbados e
está longe da serenidade merecida, numa altura em que se atravessa um clima
de incremento social e económico, atestado por diferentes indicadores e em
diferentes setores, e quando se investe na complementaridade de estratégias,
de instrumentos ou mecanismo, em prol do fortalecimento da economia.
Defendemos, igualmente, que o Turismo, a Agricultura, e o Ambiente devem
dar o que de melhor temos a quem nos visita, colocamos ao serviço dos
empresários sistemas de incentivo únicos, e criamos uma Marca para
distinguir, valorar e levar os nossos produtos além-fronteiras.
Logo, é evidente a nossa preocupação por não conseguirmos afirmar que o
setor do leite é firme e estável e por constatarmos que os Açores rumam em
contraciclo no que à Europa diz respeito, uma vez que o nosso setor do leite,
que poderia produzir o melhor leite da Europa e, quiçá, do mundo, enfrenta
graves desafios e novas contingências.
A atual crise do rendimento dos produtores de leite implica uma ação urgente,
pois preocupa-nos a recorrência do problema em ilhas como Terceira, Graciosa
e São Miguel, a falta de entendimento e diálogo entre as partes, e a distância
que se acentua na busca de solução, numa disputa cega de exclusividade de
dores e problemas.
Não queremos julgar ou atribuir culpas, mas não podemos assistir de braços
cruzados à perda substancial do rendimento dos produtores da região. Logo,
apelamos a que se façam algumas cedências, se assumam compromissos, e
se instale um sentimento de respeito pelo valor e trabalho de cada um e de
todos.
Saliente-se que, através do CALL, a produção deu um sinal de boa vontade e
de procura de soluções que, a médio-longo prazo, responderão à necessidade
de diminuir custos, de acautelar níveis de produção adaptados à procura, e de
equilibrar a balança entre a produção e as expetativas da indústria, da qual
julgamos ser oportuno um sinal de mudança de estratégia comercial, assente na valorização, inovação e criação de produtos apetecíveis a novos mercados
e consumidores.
Neste contexto, refira-se que o Governo Regional procurou ouvir as partes, os
desafios e as expetativas de todos, e promover um ambiente de entendimento
e de comunicação, para além de procurar rentabilizar os recursos em prol de
uma ação proativa, mas também reativa, face a constrangimentos graves que
exigiram respostas rápidas, efetivas e consequentes.
O Governo Regional nunca renunciou a uma postura assertiva e defensiva dos
interesses da Região, nunca abdicou de construir o futuro com os parceiros dos
setores, e nunca desistiu de se fazer ouvir em todas as instâncias sempre que
surge oportunidade.
Porém, apesar do empenho do Governo, cremos que a solução para o setor do
leite passa por uma reforma estrutural, e por isso mesmo, recomendamos e
transferimos muita da responsabilidade para a intervenção que a Europa já
deveria ter levado a cabo e que, sem demoras, deverá realizar e que passará,
forçosamente, pela criação de mecanismo de proteção dos mercados, contra
os humores ou estratégias divisionistas de países que comprometem o
segmento, e pela potenciação de instrumentos, como a rotulagem, as
denominações de origem ou, até, o tão importante combate a contratos e
posturas desleais entre comercialização e produção.
Em suma, reafirmamos que os grandes decisores da Europa da coesão, da
Europa de equilíbrios de forças, de partilha de recursos e de distribuição
equitativa de bens e riqueza, não podem permitir que este problema persista
nem compactuar com um diferencial de 421 milhões desde 2010 ou com a
diferença anual de 61 milhões entre Portugal e os restantes estados-membros.
O Partido Socialista afirma, com veemência, que somos um estado-membro e
não podemos continuar a ser o parente pobre da família europeia nem servir só
para equilibrar, desempatar ou avaliar por baixo o valor e qualidade da nossa
matéria-prima, do trabalho dos agricultores.
Como sempre, o PS-Açores quer continuar a construir uma região e uma
agricultura que nos orgulhe e que reflita, no seu justo rendimento, o esforço e o trabalho de gerações que investiram na manutenção e riqueza do nosso capital
rural.
Em prol do inegável valor dos nossos produtores, a luta manter-se-á.

 

Mónica Rocha
Deputada PS, ALRAA

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