Vasco Cordeiro acredita na recuperação da SATA, oposição afirma que situação é insustentável

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O Presidente do Governo afirmou esta quarta-feira, que o Grupo SATA apresenta diversos indicadores, no primeiro trimestre deste ano, que “vão no bom caminho” quanto ao trajeto de recuperação da empresa, declarando ter confiança no conselho de administração da SATA no cumprimento dos objetivos financeiros para este ano, que passam pela redução dos prejuízos anuais para metade, reconhecendo no entanto que os esforços são ainda insuficientes perante o desafio apresentado, “mas são indicadores que vão no bom sentido”, disse.

Vasco Cordeiro, que reagia às declarações dos deputados da oposição, no decorrer do debate de urgência levado ao Parlamento açoriano pelo CDS-PP, sobre a “Análise à situação operacional, económica e financeira do Grupo SATA“, anunciou que nos primeiros três meses de 2019 houve uma poupança de 20% no consumo de combustível dos aviões, um aumento de passageiros na ordem dos 8,5%, estimando até final do ano, um crescimento das receitas de 8%.

Artur Lima, líder da bancada centrista, que fez uma “declaração de concordância” com o Presidente do Governo Regional quando afirmou, na semana passada, que a SATA vivia numa “situação financeira muito delicada” e que os resultados financeiros do grupo “não são sustentáveis”, salientou que assim é, porque “as sucessivas administrações de nomeação socialista e o Governo não conseguiram, ao longo dos anos, inverter o contexto de depauperamento contínuo dos ativos do Grupo SATA e da sua imagem de mercado nem conseguiram definir políticas que permitissem a reestruturação financeira, organizacional e operacional do Grupo SATA”.

“Os resultados financeiros dos últimos exercícios do Grupo SATA apontam um caminho
que não podemos continuar a percorrer”, visto que está em causa “o superior interesse dos
Açores no que respeita à nossa economia e às nossas finanças regionais” e “a mobilidade dos Açorianos que se veem confrontados com a supressão e a degradação das respostas às suas necessidades de transporte”, afirmou Artur Lima, lembrando que o Grupo SATA teve “em 2016, um prejuízo de 14M€, em 2017 teve um prejuízo de 41M€ e, em 2018, um prejuízo de 53M€”, pelo que “é preciso olhar para os números e retirar as devidas consequências políticas”.

Para o presidente do CDS “num setor de nuclear importância estratégica para a nossa economia e fundamental para a mobilidade dos Açorianos, muitas são as evidências dos erros estratégicos e decisões inadequadas que têm marcado a gestão do Grupo SATA ao longo dos últimos anos da governação socialista”, ressalvando que “não podemos continuar a hipotecar o futuro da Região e o futuro dos Açorianos”.

Já para o maior partido da oposição, os sucessivos resultados negativos a SATA comprovam que a governação socialista se tornou “insustentável” e que só a mudança de governo poderá “salvar a SATA”.

António Vasco Viveiros, deputado do PSD/Açores salientou que a SATA “precisa de um governo capaz de enfrentar os problemas em vez de os empurrar para a frente”, lembrou que “não faltaram avisos” para o agravamento da situação financeira da companhia aérea regional, e questionou porque espera o executivo, “perante uma empresa tecnicamente falida, sem rumo, sem crédito de fornecedores na hotelaria e na restauração”, para nomear uma “administração profissional, competente, conhecedora do setor”.

“A gestão da SATA tem sido um exemplo de práticas governativas sem sentido e de falta de visão deste Governo Regional. A situação em que se encontra a SATA é a ponta do iceberg da má governação regional”, afirmou António Vasco Viveiros.

Já a acusação do Bloco de Esquerda,vai noutra direção. Para Paulo Mendes “insiste-se deliberadamente no caminho de uma gestão desastrosa da companhia de todos os açorianos para transferir para as mãos de uns poucos o que é de todos”. O deputado afirmou que a “única ideia que tem para o futuro da companhia é a sua privatização por tuta e meia”, alertando que a privatização “vai pôr em risco a mobilidade dos residentes dos Açores”.

Posição também defendida pelo PCP, com João Paulo Corvelo a acusar o executivo de Vasco Cordeiro, de “gerir propositadamente mal uma empresa de modo a conduzi-la a uma situação de tal modo deficitária e depois lançar a ideia que apenas a sua privatização pode ser a única tábua de salvação”.

O Partido Socialista sublinhou “a importância de algumas das medidas que já estão curso”, nomeadamente o processo de alienação de parte do capital da Azores Airlines, avisando que é preciso “dar estabilidade, criar um clima de estabilidade à volta da empresa para que ela consiga prosseguir aquela que é a sua atividade e a sua missão de assegurar a mobilidade dos Açorianos e servir as 9 ilhas da nossa Região”.

Nessa tarefa, Carlos Silva, afirmou que o PS já percebeu que não pode contar com o maior partido da oposição que, “numa manobra de hipocrisia política” começa o debate a “elogiar os trabalhadores”, quando na mesma semana “um vice-presidente da sua bancada – o deputado Bruto da Costa – disse, que tem vergonha da SATA”.

O deputado socialista reconhece que os resultados alcançados não são sustentáveis, mas defende “que a prioridade é garantir que a companhia aérea continua a servir os Açores e os Açorianos”, disse.

SM

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