CDS-PP/Açores lança debate sobre atual modelo de transporte marítimo de mercadorias

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O Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP/Açores, Artur Lima, afirmou, esta terça-feira, que “o atual modelo de transporte marítimo de carga não ajuda a nossa economia e não responde às necessidades da Região e dos Açorianos”.
Durante o debate de urgência agendado pelo CDS-PP, Artur Lima frisou “a flagrante e sistemática incapacidade do atual sistema de cabotagem insular responder às necessidades do nosso comércio retalhista que está, cada vez mais vezes, de prateleiras vazias de alguns produtos essenciais”, bem como “a incapacidade do atual modelo de transporte marítimo de mercadorias responder a fatores conjunturais”, como as greves portuárias e as avarias de navios, “que prejudicam a atividade económica e comprometem o regular abastecimento de bens essenciais às nossas ilhas”.
Artur Lima classificou de incompreensível que “as greves de operadores portuários comprometam a satisfação de necessidades sociais impreteríveis na Região, como o regular abastecimento das nossas populações, sem que sejam tomadas as medidas indispensáveis para responder às necessidades mínimas das nossas ilhas”, assim como o facto de “uma avaria de um navio se traduzir numa longa e imprevisível espera para a atividade económica da nossa região, sem que estejam pré-configurados os devidos recursos de contingência que permitam rapidez na normalização das operações”.

Dirigindo-se à Secretária Regional dos Transportes, Artur Lima pediu justificações sobre “como pode o Governo defender o atual modelo de transporte de mercadorias, quando, na Região, Conselhos de ilha, associações representativas do comércio e empresários, declaram a necessidade de procurar soluções perante a sua reconhecida desadequação”.

Ana Cunha, Secretária Regional assumiu que “será possível introduzir alterações no atual modelo”, mas frisou que há premissas das quais não se pode abdicar, nomeadamente “o abastecimento garantido a todas as ilhas, com uma periodicidade estabelecida e a um preço igual para todas as ilha”, afirmando que “nesta, como noutras matérias, em momento algum poremos sequer a hipótese de comprometer a coesão regional”, disse.

“Continuamos, pois, a defender que este modelo pode ser melhorado e aperfeiçoado. Não pomos sequer, de parte, a hipótese de estudar outro modelo alternativo. Mas, para tal, será necessário garantir a existência de um consenso entre ilhas, operadores, representantes do comércio e da indústria, entidades representativas dos diversos setores da sociedade de cada uma das ilhas”, salientou a Secretária Regional, acrescentando que “isso, até agora, não foi possível alcançar”, adiantando que o modelo atual, “no entender do Governo dos Açores, tem a virtude de conciliar, de forma satisfatória, os interesses das diferentes ilhas e, por conseguinte, dos Açores, permitindo o abastecimento regular das ilhas mais pequenas, que, atenta a sua dimensão, não teriam a frequência de escalas que hoje têm, sem qualquer custo para o erário público”.

O CDS-PP/Açores concluiu que “os governos da nossa autonomia falharam num setor estratégico fundamental para a dinamização económica das nossas ilhas, para a criação de emprego e para a fixação das nossas populações”, prejudicando o princípio da continuidade territorial na Região.

“Estamos a comprometer o nosso futuro”, declarou o Presidente do CDS-PP/Açores, “se continuarmos a ter um sistema de transportes de mercadorias que ignora as necessidades do nosso desenvolvimento e falha, muitas vezes, na garantia de serviços indispensáveis às nossas populações”. Para o CDS-PP, “um modelo de transportes marítimos que resolva as questões logísticas das mercadorias, que seja capaz de responder ao presente e perspetivar o futuro é, para nós, condição fundamental para o desenvolvimento económico e para a coesão social dos Açores”.

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