Ilhas do Pico e São Jorge com “situação mais crítica” no abastecimento de água para agricultores

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As ilhas açorianas de São Jorge e do Pico são as que apresentam uma “situação mais crítica” no abastecimento de água para a agricultura devido à falta de chuva, reconheceu hoje o secretário da Agricultura do executivo regional.

João Ponte falou hoje aos jornalistas antes de se reunir com a Associação Agrícola de São Miguel e após ter visitado o mercado agrícola organizado por aquela associação nas suas instalações em Rabo de Peixe, concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.

“Já há algumas semanas que não chove. Neste momento foi identificada a situação do Pico como a situação mais critica, em São Jorge também há uma situação de [quebra no] abastecimento de água que já está identificada”, declarou o governante.

Relativamente a São Jorge, João Ponte disse tratar-se de um problema com origem em “nascentes que deixaram de dar água”, uma “situação que melhorou” devido à ocorrência de aguaceiros na semana passada.

“Em São Jorge teve a ver com nascentes que deixaram de dar água. Entretanto, choveu a semana passada alguns aguaceiros e a situação melhorou, mas neste momento não há solução para a falta de chuva. Se as nascentes secam, não há solução”, apontou.

Descrevendo aquelas duas ilhas do grupo central como as “situações mais críticas no abastecimento de água”, o secretário regional referiu a necessidade de “reforçar o investimento” nos “próximos anos” em São Jorge e Pico para a criação de lagoas artificiais.

“Em termos de abastecimento é esse o esforço que temos de continuar a fazer e que também terá de ser feito no próximo quadro [comunitário], que é reforçar a capacidade de armazenamento de água, porque os verões estão a ser atípicos”, frisou.

João Ponte disse ser “natural” que o abastecimento de água fique numa situação “mais complicada” nos próximos dias devido à previsão de falta de chuva, mas destacou que nas ilhas de São Miguel e Terceira “não haverá, à partida, situações críticas”: “julgo que vamos conseguir aguentar o verão”, prosseguiu.

No âmbito da reunião com a Associação Agrícola, o secretário avançou que 25% dos jovens que entraram no setor agrícola na última legislatura foram afetos à área da “diversificação” agrícola (floricultura, horticultura, fruticultura, viticultura).

João Ponte também realçou que já abiram as candidaturas, até final de novembro, do programa da cessação da atividade agrícola, um “diploma importante” na “reestruturação do setor do leite”.

Na ocasião, o presidente da Associação Agrícola de São Miguel realçou a importância do programa de reconversão da atividade dos agricultores, que promove a passagem da produção de leite para a de carne.

Jorge Rita registou que na região se fez uma “reestruturação digna” do setor agrícola, apesar da adesão à reconversão ter ficado “aquém das expectativas” na ilha São Miguel, ao contrário do que se verificou, por exemplo, na Terceira e na Graciosa.

O dirigente associativo apontou ainda a “falta de mão-de-obra qualificada” com um “grande ‘handicap’ [lacuna]” na agricultura regional.

 

 

Lusa

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