Ministros europeus aprovam pedido de ajuda da Irlanda

dublin-irlandaFoi mais uma vez num fim-de-semana que se viveu um episódio fundamental na crise da dívida soberana que assola a Europa desde o início deste ano. Depois de vários dias de resistência, o Governo irlandês cedeu hoje finalmente, tendo aprovado o pedido de ajuda internacional que a Europa tinha já apelado que solicitasse, ao que se seguiu um “ok” quase imediato dos ministros das Finanças da Zona Euro.

No final da reunião do Conselho de Ministros de urgência que realizou esta tarde, o primeiro-ministro Brian Cowen (na foto) confirmou o pedido de ajuda, revelando que agora vão decorrer “várias semanas” de negociações, para acertar os detalhes da assistência a Dublin.

Minutos depois os ministros das Finanças da Zona Euro, reunidos de emergência, emitiram um comunicado onde aprovavam o pedido de ajuda formalizado por Dublin. O empréstimo à Irlanda será efectuado através do recurso ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), a um fundo do Orçamento da União Europeia, e também de empréstimos bilaterais do Reino Unido e da Suécia. O ministro belga das Finanças, Didier Reynders, cujo país preside à UE, confirmou que o montante será “inferior a 100 mil milhões de euros”.

Já antes o ministro das Finanças irlandês tinha anunciado que iria recomendar aos seus colegas de Executivo que aprovassem o pedido de ajuda internacional. Explicou Brian Lenihan que tal medida servirá para “impedir o colapso do sistema bancário” da Irlanda, tendo reconhecido pela primeira vez que “os bancos são um problema demasiado grande para o país”.

Parte do dinheiro proveniente do fundo será utilizado para injectar capital nos bancos irlandeses e na criação de um “fundo de contigência” destinado a socorrer mais instituições financeiras do país que passem por dificuldades. O recurso ao FEEF pretende também garantir que a Irlanda não necessitará dos mercados para se financiar durante vários anos, mas o ministro das Finanças mantém a confiança que a Irlanda não precisa de recorrer ao dinheiro destinado ao Estado. Lenihan pretende assim demonstrar que a Irlanda só irá recorrer ao à ajuda da UE e do FMI para resolver o problema dos bancos.

Corte no salário mínimo

A reunião do Executivo irlandês serviu também para aprovar o programa de austeridade, com a dimensão de 15 mil milhões de euros, ou 10% do PIB, com que Dublin pretende equilibrar as contas públicas no espaço de quatro anos. Os detalhes do pacote de austeridade só serão apresentados no final desta semana, mas a imprensa noticiou já várias das medidas a tomar.

A Irlanda deverá cortar o salário mínimo, actualmente em 8,65 euros por hora (o segundo mais elevado da Zona Euro), reduzir apoios sociais em 11% até 2014 e eliminar 200 mil empregos na função pública. Tal como no caso português, dois terços do pacote advêm de medidas do lado da despesa, mas também haverá aumento de impostos. Ainda assim, Dublin não deverá mexer na taxa do IRC – pelo menos de forma significativa – permanecendo assim como um dos países com a fiscalidade mais reduzida no que diz respeito às empresas.

 

 

in Jornal de Negocios

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