“O governo é incapaz de promover o desenvolvimento sustentável em Portugal”

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Numa conferência de imprensa, junto ao Parque Eólico da Serra do Cume, na Praia da Vitória, Félix Rodrigues indicou que os Açores “deviam ser totalmente independentes em termos energéticos”, porque “temos um potencial enorme nos Açores e também no Continente”.

 

 

Por exemplo, prosseguiu, “nos Açores, temos um potencial geotérmico que as demais regiões não têm, mas está subaproveitado. Não fazemos as apostas certas. Se juntássemos todo o dinheiro gasto em festança por esta região fora já tínhamos mais energia alternativa produzida nos Açores”.

 

 

E enumerou: “Temos o mar. Quantas centrais de aproveitamento das marés existem? Temos um protótipo no Pico. Temos a energia eólica que, reparem, só em 2008 chegou à Terceira. Temos a energia solar, térmica ou fotovoltaica, que não estamos a aproveitar. Temos um manancial enorme de energias que não estamos a aproveitar, entre elas a nossa biomassa”.

 

 

No entanto, lembrou, “o grande problema continua a ser a dependência energética do exterior. Não é só de electricidade que a nossa sociedade precisa, precisamos também de combustíveis. Existem nos Açores ideias e projectos desde há muito (por exemplo a proposta do LAMTEC da Universidade dos Açores para a produção de hidrogénio) que não foi aceite, porque quem manda tem dificuldade de perceber que as ideias valem por si só”.

 

 

Continuando o lamento e a crítica, o candidato centrista enfatizou que “não se aceitam as propostas dos Açores, mas aceitam-se as mesmas as propostas do MIT – Portugal. Porque não tem nada a ver chamar-se aos Açores ‘Ilhas Verdes’ ou chamarem-se ‘Green Island’. Apostamos na capacidade tecnológica estrangeira, mas não temos a capacidade de apostar na capacidade tecnológica e nas ideias das pessoas que vivem no nosso País e na nossa Região”. 

 

 

No Parque Eólica da Serra do Cume que, lembrou, resultou de uma proposta do CDS-PP no Parlamento dos Açores, Félix Rodrigues considerou que “a nível nacional têm havido alguns investimentos que levam a que, hoje, 30 por cento da electricidade produzida em Portugal seja oriunda de fontes renováveis”. Porém, alertou, “ainda hoje temos uma dependência de 58 por cento do petróleo. O que quer dizer que a nossa economia está muito dependente do petróleo. Portugal é dos piores países da Europa em termos de dependência energética. Logo temos que apostar muito mais nas renováveis”.

 

 

A isto há que juntar, disse o candidato popular, “as emissões de gases com efeito de estufa”, alertando para o facto de “Portugal já ter ultrapassado 10 por cento das quotas que lhe eram permitidas”.

 

 

Quer isto dizer que, “em 2012, vamos ter que gastar cerca de 350 milhões de euros para comprarmos quotas de carbono no mercado internacional”. Apontando cenários Félix Rodrigues afirmou que “350 milhões de euros dá para construir 10 centrais geotérmicas nos Açores”.  

 

O cabeça de lista do CDS-PP à Assembleia da República lamentou, ainda, que hoje apenas tenhamos duas centrais geotérmicas nos Açores (em São Miguel) e que não se tenha avançado “na Terceira, que demora a arrancar, quando estamos a falar de um projecto que vem desde a década de 60”. Por isso, entende, “não se tem apostado na Geotermia no Grupo Central, e existem outras ilhas com capacidade para produzir esta energia”.

 

“Não se tem uma estratégia clara. Estamos a tornamos muito dependentes do petróleo e a dar dinheiro ao desbarato para comprar quotas de carbono. Veja-se no Continente: em vez de estarmos a aproveitar a biomassa das nossas florestas para produzirmos energia, estamos a aproveitar a biomassa das nossas florestas para termos incêndios no País”. 

 

 

Aliás, referiu, “a biomassa tem que ser aproveitada também na Agricultura”. E na “silvicultura que é uma área que também tem que ser muito mais desenvolvida”.

 

Todavia, apontou, “para que todas estas potencialidades sejam melhor aproveitadas não podemos ter monopólios energéticos em Portugal. Temos que descentralizar esta produção para sermos eficazes quer em termos de desenvolvimento económico, quer em termos de desenvolvimento da nossa própria indústria”.

 

 

Félix Rodrigues considerou, por isso, que o Governo de Sócrates “não teve estratégia”, “fez para dizer que fez, mas nada funciona”. Por comparação, ironizou, “é o mesmo que dizermos que o Governo dá um automóvel a todos os portugueses, mas nunca lhes dá a chave. É um governo incapaz de promover o desenvolvimento sustentável em Portugal”. 

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