Pagamento pelo uso da Base das Lajes é “passado”

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Os Açores “são muito importantes” para os Estados Unidos , mas “as ajudas financeiras” a Portugal ( e à Região) são uma imagem do passado”. Sobretudo, se pensarmos nelas como uma contrapartida financeira pela utilização da Base Aérea das Lajes, na ilha Terceira.

A posição norte-americana, manifestada ontem pelo Ministro Conselheiro da Embaixada Americana em Lisboa, David Ballard, que se encontra de visita à Região para assinar um protocolo de cooperação com o Governo Regional para instalar, na Graciosa, uma infra-estrutura móvel de investigação para medição da radiação atmosférica e mudanças climáticas, numa parceria com a Agência Norte Americana de Energia, não poderia ser mais objectiva.

 

As contrapartidas financeiras decorrentes do uso das Lajes, “já não fazem sentido” porque Portugal cresceu e “graduou-se”, está integrado numa realidade específica que é a União Europeia e isso fez com que “as nossas relações passassem a ser de parceria”, precisou David Ballard. Uma ideia reforçada pela própria cônsul norte- americana nos Açores: “em vez de pagarmos uma conta optámos por fazer uma parceria”.

A revisão do acordo de cooperação e defesa, entre os dois países, na década de 90, foi um passo importante nessa clarificação. Os projectos de cooperação são especialmente de natureza científica. Mas também neste caso, o envelope financeiro está vazio e dependerá do esforço que cada um dos parceiros fizer na angariação de fundos.

 

“Se há 30 anos a presença em Portugal da Agência Norte Americana para o Desenvolvimento abriu a porta a uma solução global que permitiu intercâmbios universitários e científicos financiados pelos EUA, hoje a realidade é diferente” diz David Ballard e, por isso “cada instituição” portuguesa ou norte-americana “tem de procurar as suas próprias fontes de financiamento”, para cada projecto específico.

De resto, ” foi para sustentar estas parcerias que se criou a Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento”, rematou.

A resposta foi “realista” segundo o próprio afirmou tal como todas as outras que se seguiram. A “conferência” prevista para a UAç, com a presença de autoridades académicas e da sociedade em geral, acabou por ser uma conversa “mais informal”, ao jeito de perguntas e respostas.

 

Foi o próprio orador principal que lançou o desafio. “O que é que é importante nas relações bilaterais entre os EUA e Portugal”, devolvendo a pergunta à plateia. A resposta veio em jeito de pergunta: Os Açores, as Lajes e a situação laboral dos trabalhadores portugueses ao serviço dos norte- americanos.

Sem muito para poder dizer, até porque a próxima reunião da Comissão Bilateral de acompanhamento do Acordo vai ter lugar no dia 4 de Abril e “nada está ainda concluído”, o Ministro Conselheiro teve o seu “primeiro desabafo público optimista em 19 meses” de presença em Portugal, segundo afirmou.

 

“Embora seja um assunto menor nas relações bilaterais preocupa-nos muito e estamos atentos. De forma séria, todos os dias trabalhamos nesse dossiê e não posso dizer que tenhamos chegado a uma conclusão mas estamos empenhados em encontrá-la”.

No final o AO tentou precisar os contornos desta “solução” mas sobre este assunto “nada mais há a acrescentar”.

 

 

 

 

Carmo Rodeia  (in AOriental)

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