PS critica Governo dos Açores “distraído com guerrilhas”

Foto de arquivo | GPPS
O líder socialista açoriano acusou hoje o Governo Regional de “arrogância” e distração “com guerrilhas internas” na gestão das verbas do Programa Operacional (PO) 2030, mas o presidente do executivo atribuiu as críticas à “mágoa pela perda de poder”.
A troca de palavras entre o ex-presidente do Governo dos Açores Vasco Cordeiro (PS) e José Manuel Bolieiro, atual líder do governo de coligação PSD/CDS-PP/PPM, aconteceu no plenário da Assembleia Legislativa, durante o debate de urgência requerido pelos socialistas sobre a anteproposta relativa aos fundos comunitários do PO Açores 2030.

“Somos confrontados com PS, ainda magoado com a perda do poder, a dizer que a mudança, a reforma, está mal preparada. Magoado com a perda do poder, não acredita na atitude reformista. Fica para os açorianos a firmeza de que queremos fazer diferente. Ouvindo as propostas, as críticas, mas assumindo a liderança, numa agenda social e de convergência para os Açores”, afirmou José Manuel Bolieiro.

Antes, Vasco Cordeiro censurou a “maioria absoluta que cada vez mais se distingue pela arrogância, por se entrincheirar”, considerando que “os Açores correm o risco de perder uma oportunidade única, por estarem distraídos em guerrilhas internas”.

“[O Governo] Está decidido a ser indeciso. São incapazes de mudar até o que o PS já teria mudado”, frisou.

Já no fim do debate, José Manuel Bolieiro deixou uma “nota de convicção democrática”.

“A disponibilidade para a crítica, para o aperfeiçoamento, nunca inibiu este Governo. Não podem dizer que não fomos capazes de ouvir, disponíveis com tempo para apreciar, e também respeitadores dos regulamentos comunitários e dos valores predeterminados”, disse.

O Governo, acrescentou, está “confortável com todas as críticas”.

“Na passagem da anteproposta para a proposta serão assumidas as propostas que forem compatíveis, nomeadamente com regulamentação europeia”, assegurou.

O debate acabou com Nuno Barata, deputado único da Iniciativa Liberal (IL), com quem o PSD assinou um acordo de incidência parlamentar, a perguntar se “as considerações sobre humildade democrática” do presidente do Governo também servem “para desprezar o povo na rua”.

“Teceu uma série de considerações sobre humildade democrática. Pergunto se também despreza o povo na rua, porque as redes sociais também são o povo na rua”, afirmou.

Para o deputado da IL, algumas redes sociais têm mais seguidores do que alguns deputados do parlamento tiveram votos, pelo que “são para levar em atenção”.

“Mas, não é para depois aplicar processos disciplinares a funcionários da administração pública. Fiquei deveras incomodado com a desumildade democrática de um presidente do conselho de administração de uma empresa pública pelo processo disciplinar a um funcionário porque comentou um ‘post’ da IL”, lamentou.

Antes, o parlamentar criticou o PO, considerando que “não vale auscultar fingindo que se ausculta”.

António Lima, deputado do BE, referiu ainda a “fragilidade dos argumentos” do Governo açoriano, pois “quase que não há informação sobre como, quando e onde pretende investir a verba”.

“É [o PO] um conjunto vago de intenções e nem todas são boas. Não podemos aceitar que a estratégia de investimento dos próximos anos seja tão pouco transparente. Ou isso ou o Governo ainda não sabe bem o que fazer com estes fundos”, observou.

Pedro Neves, do PAN, classificou o documento como tendo uma “execução demasiado amadora”, enquanto José Pacheco, do Chega, com quem a coligação de Governo assinou um acordo de incidência parlamentar, considerou o debate convocado pelo PS como uma “encapotada moção de censura”.

Carlos Furtado, deputado independente (ex-Chega), com quem a coligação tem também um acordo de incidência parlamentar, considerou que, “se este PO falhar, é pela falha dos PO anteriores”, da responsabilidade do PS.

Pedro Pinto, do CDS-PP, notou que, “pela primeira vez, a anteproposta de PO esteve em debate público”, mostrando uma “nova forma de fazer política”.

Paulo Estêvão, do PPM, considerou o debate uma “emboscada” do PS, apenas interessado na “crítica política”.

“De propostas e alternativas, zero, o PS não tem nada. Se este Governo cair, eu também caio. Vamos cerrar fileiras e apoiar o Governo contra a vossa atitude de guerrilha e destruição dos interesses dos Açores”, afiançou.

 

 

 

Lusa

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